Brasil apóia a integração de refugiados no norte do Equador

Em uma viagem intensa de dois dias pela região de Sucumbíos (na Amazônia equatoriana, fronteira com a Colômbia), onde há cerca de 15 mil refugiados, o embaixador brasileiro Fernando Simas pôde observar o resultado do acordo de cooperação firmado por seu país com o Equador para apoiar a integração desta população naquela região.

LAGO AGRIO (Sucumbíos), Equador, 14 de fevereiro de 2011 (ACNUR) – Quando o raio caiu, o embaixador já não estava lá. A descarga elétrica desligou os cabos de luz, e a música parou. O embaixador do Brasil no Equador, Fernando Simas, acabava de entrar no auditório da escola 16 de Febrero, em Lago Agrio, e como os demais convidados, assustou-se com o estrondo em meio à uma chuva torrencial na Amazônia equatoriana. Mas nem a água nem o silêncio imprevisto calariam a alegria diante de uma nova sala de aula com as cores brasileiras.

“Nesta escola há muitas crianças refugiadas. É doloroso ver como as famílias vêm para cá, deixam tudo para trás e trazem seus filhos. Mas aqui no Equador ainda temos tranquilidade, e todas as crianças são bem vindas. Por isso, estamos muito contentes, já que graças a esta sala de aula poderemos, como profissionais da educação, oferecer nosso melhor saber às crianças, aos pais de família e à comunidade”, assegura o subdiretor Casalongo.

Em uma viagem intensa de dois dias pela região de Sucumbíos (na Amazônia equatoriana, fronteira com a Colômbia), onde há cerca de 15 mil refugiados, o embaixador brasileiro Fernando Simas pôde observar o resultado do acordo de cooperação firmado por seu país com o Equador para apoiar a integração desta população naquela região.

Esta iniciativa – pioneira na região – se traduziu em uma série de projetos implementados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) que beneficiam a população refugiada e os equatorianos que os acolhem em seus bairros e comunidades.

“Estes são projetos emblemáticos: os primeiros que a cooperação brasileira realiza em comunidades tão isoladas e que beneficiam famílias equatorianas e refugiados colombianos vivendo neste país. Este apoio é um reconhecimento ao esforço solidário do Equador em receber estas pessoas que se deslocam desde a Colômbia”, afirmou o embaixador Simas.

Destinados ao à educação primária, à proteção de mulheres vítimas de viôlencia doméstica e à melhora da infra-estrutura de água e saneamento, o financiamento brasileiro permitiu também que o bairro El Aeropuerto, em Sucumbíos, conte com instalações sanitárias públicas. Também foi recuperada uma zona infantil de jogos que, como reconhece o líder comunitário Leonardo Maldonado, “beneficia a todos que vivemos na área”.

Além disso, em Lago Agrio, o embaixador Fernando Simas conheceu a brinquedoteca administrada pela Federação de Mulheres de Sucumbíos, um espaço de jogos para os filhos e filhas de mulheres vítimas de violência.

Os diplomatas brasileiros, que pela primeira vez visitam a região em companhia do ACNUR, também chegaram à remota comunidade de El Palmar, às margens do rio Putumayo, onde cerca de 80 famílias (ou 60% da população local) são compostas por refugiados colombianos.

“Até agora alguns alunos estavam sem salas de aula. Esta nova sala vai permitir que possam recebir uma educação em condições dignas”, explica a diretora da escola La Paz, uma das instituições beneficiadas pelo apoio brasileiro às operações do ACNUR no Equador.

“É um feito sem precedentes que um país solidário como o Brasil nos ajude a buscar, no próprio continente sul-americano, respostas para uma situação de consequências humanitárias trágicas na região. Esta é a primeira escola que o ACNUR inaugura com fundos do Brasil na América Latina no marco da cooperação Sul-Sul”, ressaltou o representante adjunto do ACNUR no Equador, Luis Varese.

Ao que o próprio Embaixador Simas acrescenta: “Dentro da ideia de integração regional é muito importante estabelecer estes nexos de cooperação entre nossos povos e fazer contribuições marcadas pela mensagem de que é possível uma solidariedade continental”, completou o embaixador brasileiro no Equador.

A escola La Paz, onde estudam 91 crianças, já tem salas novas. E suas instalações sanitárias melhoraram muito. É um avanço, ainda que esta zona equatoriana próxima à Colômbia siga sem água limpa ou sistema de esgotos. E apesar de seu nome, a tranquilidade não sempre é a regra.

Os recursos brasileiros doados ao Equador por meio do ACNUR são parte de um pacote maior de doações do Brasil ao Alto Comissariado da ONU para Refugiados. Em setembro do ano passado, o ACNUR e o Brasil assinaram um Memorando de Entendimentos que formalizou o apoio do Brasil à assistência humanitária prestada pelo ACNUR em todo o mundo, o que vem alavancando o papel do Brasil como um apoiador global do ACNUR.

O documento prevê contribuições voluntárias do governo brasileiro para os programas regulares do ACNUR, como também para atividades específicas em países afetados por desastres naturais, conflitos e insegurança alimentar e nutricional. Em 2010, as doações do Governo do Brasil ao ACNUR totalizaram US$ 3,5 milhões – a maior entre todos os países da América Latina. Foram beneficiadas operações no Haiti, Colômbia, Sri Lanka, Irã, Iraque e Paquistão – além do Equador.

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