Bolívia mobiliza 60 mil profissionais para campanha de vacinação antirrábica

Com a mobilização de quase 60 mil profissionais de vacinação e de 3 milhões de doses de vacinas adquiridas com recursos públicos, a Bolívia realizou entre 18 e 19 de agosto uma campanha de vacinação gratuita antirrábica em praticamente todo seu território. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) ofereceram apoio técnico ao país.

A Bolívia, ao lado do Haiti, tem a maior incidência de casos de raiva canina na região das Américas. Em 2017, foram registrados 965 casos positivos de raiva canina e oito mortes por raiva humana no país. As autoridades nacionais lançaram em setembro de 2017 um alerta sanitário por epizootia canina e, desde então, os esforços foram contínuos para o controle da transmissão.

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Com a mobilização de quase 60 mil profissionais de vacinação e de 3 milhões de doses de vacinas adquiridas com recursos públicos, a Bolívia realizou entre 18 e 19 de agosto uma campanha de vacinação gratuita antirrábica em praticamente todo seu território.

O Ministério da Saúde realizou uma operação de vacinação que começou em La Paz, sede do governo boliviano, onde o próprio vice-presidente Álvaro García Linera levou seu animal de estimação para vacinar, dando assim o exemplo e enviando uma mensagem de prevenção à população, que desde cedo se reuniu em praças, parques e centros de saúde ou aguardou os profissionais em sua residência.

A Bolívia, ao lado do Haiti, tem a maior incidência de casos de raiva canina na região das Américas. Em 2017, foram registrados 965 casos positivos de raiva canina e oito mortes por raiva humana no país. As autoridades nacionais lançaram em setembro de 2017 um alerta sanitário por epizootia canina e, desde então, os esforços foram contínuos para o controle da transmissão.

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) ofereceu apoio técnico à Bolívia no processo de controle da transmissão da raiva. Por isso, durante a vacinação massiva, enviou ao país o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Saúde Ambiental da OPAS, Marcos Espinal, e o diretor da PANAFTOSA, Ottorino Cosivi, que junto ao representante do escritório regional na Bolívia, Fernando Leanes, participaram ativamente da imunização.

Depois de conhecer a experiência boliviana, Espinal afirmou que “o país está em um bom caminho para conseguir a eliminação da raiva em seu território, os resultados podem marcar o início do fim da epizootia, o que diminuirá o sofrimento da população e dos animais de estimação”.

A vacinação antirrábica utilizou o micro planejamento como metodologia operacional, dispôs de 7 milhões de bolivianos, recursos financeiros próprios do Estado para adquirir as vacinas, assim como de recursos econômicos locais dos Serviços Departamentais de Saúde (SEDES) e dos municípios para aquisição de insumos e para o salário de milhares de vacinadores que conseguiram imunizar a população canina do país.

Espinal reconheceu a articulação do Estado em seus diferentes níveis, e o trabalho para uma aliança estratégica com universidades públicas, polícia, Forças Armadas, veículos de comunicação e grupos comunitários em todos os municípios. Convidou o país a manter as ações depois da campanha, especialmente na fase de monitoramento, revisão e coleta que permitirá controles adequados da vacinação.

Participação cidadã

Durante os dois dias de vacinação contínua, os membros da OPAS/OMS puderam observar a ampla e comprometida participação dos cidadãos donos de animais de estimação que se dirigiram aos pontos de vacinação móveis ou esperaram dentro de seus domicílios pelos profissionais de saúde.

Da mesma forma, a população colaborou com as brigadas, fornecendo os dados dos cartões de vacinação e identificação dos animais vacinados. Essas informações foram essenciais, pois permitirão que as autoridades de saúde acompanhem, posteriormente, o sucesso da campanha e as necessidades das áreas em que há animais sem vacinação.