Bangladesh concorda com plano de ação para melhorar condições de trabalho, diz OIT

Acordo foi feito pouco tempo depois de um colapso em uma fábrica no país que matou mais de 650 pessoas. Em outro incidente, violência em razão de protestos religiosos matou mais de 30 pessoas.

Trabalhadora de uma fábrica de roupas em Gazipur, Bangladesh. Foto: ONU/ Kibae Parque

Trabalhadora de uma fábrica de roupas em Gazipur, Bangladesh. Foto: ONU/ Kibae Parque

Os legisladores de Bangladesh receberão um acordo sobre um pacote de reforma laboral já no próximo mês, para melhorar as condições de trabalho do país, disse neste sábado (4) a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A afirmação foi feita no encerramento de uma visita da agência no país que ainda se recupera do mortal desabamento de uma fábrica de roupas.

No dia 24 de abril, pelo menos 650 pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas no colapso do edifício Rana Plaza, nos arredores da capital Daca.

O pacote “irá melhorar a proteção, na lei e na prática, para os direitos fundamentais à liberdade de associação e direito à negociação coletiva, bem como a segurança e a saúde no trabalho”, disse a OIT em uma declaração conjunta emitida também em nome de seus três parceiros no país: representantes do governo, empregadores e trabalhadores.

A OIT e seus parceiros também pediram uma avaliação no final do ano da “segurança na estrutura e contra incêndios de todas as fábricas de vestuário ativas em Bangladesh orientadas para a exportação de roupas prontas , e o início de ações corretivas, incluindo a relocalização de fábricas inseguras” de acordo com um comunicado.

Entre outras sugestões de melhorias a curto e médio prazo acordadas durante a visita da OIT entre os dias 1o e 4 de maio, o grupo pediu a contratação de 200 inspetores dentro de seis meses e um aumento de orçamento para contratação de 800 inspetores, bem como o ensino de competências e programas de reciclagem para trabalhadores feridos.

Também em Daca, foram realizados protestos violentos no domingo (5) e na segunda-feira (6) pela implementação dos valores islâmicos no país. Os manifestantes querem a pena de morte para quem blasfemar contra o Islã e uma educação islâmica mais estrita. O governo, que descreve Bangladesh como uma democracia laica, se negou a atender os pedidos dos manifestantes.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu também nesta segunda-feira a todas as partes dos conflitos que acabem com a violência.

Ban solicitou que todos envolvidos respeitem a lei e que expressem suas visões pacificamente. De acordo com relatos da mídia, mais de 30 pessoas morreram e 60 ficaram feridas em confrontos entre a polícia e manifestantes na capital.