Banco Mundial reúne acadêmicos e autoridades em SP para discutir segurança pública

O Banco Mundial realizou na semana passada (24) a conferência “Prevenção da violência e segurança pública: desafios, boas práticas e caminhos para uma gestão mais eficiente”, em um esforço de unir conhecimento de acadêmicos, representantes de organizações da sociedade civil e autoridades.

O evento teve a participação do diretor do Banco Mundial no Brasil, Martin Raiser, e do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

Segurança pública foi tema de conferência organizada pelo Banco Mundial em São Paulo. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Segurança pública foi tema de conferência organizada pelo Banco Mundial em São Paulo. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Banco Mundial realizou na semana passada (24) a conferência “Prevenção da violência e segurança pública: desafios, boas práticas e caminhos para uma gestão mais eficiente”, em um esforço de unir conhecimento de acadêmicos, representantes de organizações da sociedade civil e autoridades.

O evento teve a presença do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e foi realizada em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e com o Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (MPGPP).

A conferência tratou dos temas “Desafios para a segurança pública no Brasil e a experiência dos organismos multilaterais”; “Programas de prevenção da violência”; e “Governança da segurança pública: como melhorar a qualidade do gasto público e a gestão por resultados?”.

Em sua fala de abertura, o ministro criticou, entre outros, a falta de procedimentos padronizados em todos os estados, o que dificulta a criação de dados que possam levar a ações preventivas de segurança em âmbito nacional.

“Nós, sob o aspecto Estado, não temos informações fidedignas e confiáveis sob as quais instituir uma política nacional comum voltada para a segurança”, declarou, criticando também a superpopulação do sistema penitenciário.

“Chegamos à condição de sermos a terceira maior população carcerária do mundo. Isso não é sustentável do ponto de vista orçamentário, isso não é sustentável em termos de espaço e isso não é sustentável inclusive pelos efeitos extremamente nocivos e danosos que tem para a sociedade”, justifica.

Deram a sua contribuição para o assunto Martin Raiser, diretor do Banco Mundial no Brasil, e Laura Chioda, economista sênior do organismo internacional, que apresentou o estudo “Stop the violence in Latin America” (Pare a violência na América Latina, em tradução livre). A publicação detalha os índices de violência em toda a América Latina e sugere políticas de prevenção que atinjam a população desde o nascimento até a vida adulta.

“Nunca é cedo demais ou tarde demais para a prevenção. Tanto o acompanhamento pré-natal quanto iniciativas que impactam adultos se mostraram eficazes na prevenção da violência e do crime”, argumenta Laura.

O estudo da economista aponta que os que mais provocam e sofrem com essa violência são jovens do sexo masculino, com idade entre 15 e 24 anos. No caso de negros, os números são ainda maiores. “A América Latina tem uma das maiores taxas de homicídios do mundo, mesmo não sendo uma zona de conflito”, conclui.

Também contribuíram para a discussão representantes da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Fundação Getulio Vargas (FGV), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Fight for Peace, Instituto Cidade Segura, Instituto Sou da Paz, Bando Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Universidade de Brasília (UnB).

O diretor do Banco Mundial no Brasil, Martin Raiser, participou do evento em São Paulo. Foto: Banco Mundial/Guilherme Ferreira Martins

O diretor do Banco Mundial no Brasil, Martin Raiser, participou do evento em São Paulo. Foto: Banco Mundial/Guilherme Ferreira Martins