Banco Mundial prevê queda de 8% para economia brasileira em 2020

A pandemia da COVID-19 encolherá a economia global em 5,2% este ano, representando a recessão mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial e provocando um aumento dramático da pobreza extrema, afirmou o Banco Mundial na segunda-feira (8), em relatório com perspectivas econômicas.

Os países mais atingidos são aqueles em que a pandemia foi mais grave e onde há uma forte dependência do comércio global, turismo, exportações de commodities e financiamento externo, segundo o relatório. Para o Brasil, a projeção é de queda de 8%.

Centros comerciais da Barra da Tijuca funcionam com restrições após decreto governo estadual que flexibiliza medidas de isolamento social pela pandemia do novo coronavírus. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Centros comerciais da Barra da Tijuca funcionam com restrições após decreto governo estadual que flexibiliza medidas de isolamento social pela pandemia do novo coronavírus. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

A pandemia da COVID-19 encolherá a economia global em 5,2% este ano, representando a recessão mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial e provocando um aumento dramático da pobreza extrema, afirmou o Banco Mundial na segunda-feira (8), em seu último relatório Global Economic Prospects.

Nos países ricos, a atividade econômica deverá diminuir 7%, uma vez que o surto do novo coronavírus interrompeu severamente a demanda doméstica e as atividades de suprimento, comércio e finanças, afirmou o documento.

Renda em queda, aumento da extrema pobreza

Os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento devem ter recuo de 2,5% – sua primeira contração consolidada em pelo menos 60 anos. Enquanto isso, a renda per capita deverá cair 3,6% – levando milhões à extrema pobreza.

Os países mais atingidos são aqueles em que a pandemia foi mais grave e onde há uma forte dependência do comércio global, turismo, exportações de commodities e financiamento externo, segundo o relatório.

“Essa é uma perspectiva profundamente preocupante, com a crise provavelmente deixando cicatrizes duradouras e colocando grandes desafios globais”, disse Ceyla Pazarbasioglu, vice-presidente de crescimento equitativo, finanças e instituições do Grupo Banco Mundial.

União para uma recuperação robusta

“Nossa primeira ordem de negócios é tratar da emergência global de saúde e economia”, disse ela. “Além disso, a comunidade global deve se unir para encontrar maneiras de reconstruir uma recuperação tão robusta quanto possível, para impedir que mais pessoas caiam na pobreza e no desemprego.”

Em seu Relatório Econômico Global semestral anterior, publicado em janeiro, antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o surto de COVID-19 uma pandemia em 11 de março, o Banco Mundial havia previsto um crescimento de 2,5% para a economia global este ano, graças a uma recuperação gradual no comércio e no investimento.

Na semana passada, o Banco Mundial divulgou capítulos analíticos do último relatório global de perspectivas econômicas, segundo o qual os países em desenvolvimento e a comunidade internacional podem tomar agora medidas para acelerar a recuperação, a fim de enfraquecer os efeitos adversos de longo prazo.

“As estimativas atuais mostram que 60 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza extrema em 2020 (e) essas estimativas provavelmente aumentarão ainda mais, com a reabertura das economias avançadas como o principal determinante”, disse o presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass.

“As escolhas políticas feitas hoje – incluindo maior transparência da dívida para chamar novos investimentos, avanços mais rápidos na conectividade digital e uma grande expansão de redes de segurança de caixa para os mais pobres – ajudarão a limitar os danos e a construir uma recuperação mais forte”, afirmou.

Segundo o relatório Global Economic Prospects, a economia dos Estados Unidos deverá contrair 6,1% este ano, enquanto a produção da zona do euro deverá diminuir em torno de 9,1%. Prevê-se que a economia do Japão recue 6,1%. Para o Brasil, a projeção é de queda de 8%.

O crescimento deverá cair 7,2% na América Latina e no Caribe, 4,7% na Europa e Ásia Central, 4,2% no Oriente Médio e Norte da África, 2,8% na África Subsaariana (a queda mais profunda já registrada), 2,7% no sul da Ásia e 0,5% no leste da Ásia e no Pacífico.

“A recessão provocada pela COVID-19 é singular em muitos aspectos e provavelmente será a mais profunda nas economias avançadas desde a Segunda Guerra Mundial, e a primeira contração do produto nas economias emergentes e em desenvolvimento, pelo menos nas últimas seis décadas”, afirmou o diretor do Grupo de Perspectivas de Desenvolvimento do Grupo Banco Mundial, Ayhan Kose.

“O episódio atual já viu, de longe, as reduções mais rápidas e íngremes das previsões de crescimento global já registradas”, disse ele.

“Se o passado é um guia, pode haver mais reduções no crescimento, o que implica que os formuladores de políticas talvez precisem estar prontos para empregar medidas adicionais para apoiar a atividade” econômica, salientou.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).