Banco Mundial prevê queda de 5% para economia brasileira este ano

A economia brasileira deve ter uma contração de 5% em 2020 diante de três choques: demanda externa fraca, queda dos preços do petróleo e interrupção econômica para a contenção do novo coronavírus.

A previsão consta em estudo do Banco Mundial divulgado na segunda-feira (13). Para 2021, a expectativa do organismo internacional é de um avanço de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

A implementação inadequada das respostas políticas à crise pode falhar em mitigar o impacto na pobreza ou na desigualdade, potencialmente alimentando o descontentamento social, advertiu o organismo internacional.

Porto de Santos, em São Paulo. Foto: Prefeitura de Santos

Porto de Santos, em São Paulo. Foto: Prefeitura de Santos

A economia brasileira deve ter uma contração de 5% em 2020 diante de três choques: demanda externa fraca, queda dos preços do petróleo e interrupção econômica para a contenção do novo coronavírus.

A previsão consta em estudo do Banco Mundial divulgado na segunda-feira (13). Para 2021, a expectativa do organismo internacional é de um avanço de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O Banco Mundial prevê que tais choques reduzirão o consumo privado, afetarão a produtividade do trabalho, enquanto o desemprego deverá aumentar.

“Os choques na demanda global e doméstica levarão a uma queda significativa no investimento”, disse o relatório “A economia em tempos de COVID-19” (em inglês).

O organismo lembrou que o governo tem enfrentado a pandemia com um pacote de estímulo fiscal, resultando em um aumento significativo no déficit primário e em níveis mais altos de dívida pública.

No entanto, o Banco Mundial afirma que mais ações serão necessárias. “Para combater a crise, o governo brasileiro precisará implementar uma série de medidas adicionais, incluindo apoiar estados em dificuldades”.

“É esperado algum afrouxamento monetário adicional, embora as taxas de juros já estejam significativamente abaixo da taxa neutra.”

“Assumindo a possibilidade de os choques choques externos e domésticos serem transitórios, a economia deverá se recuperar até o final de 2020 e 2021, resultando em uma taxa de crescimento de 1,5% em 2021 e de 2,3% em 2022 – ainda baixa em geral, limitando o espaço para acelerar a redução da pobreza.”

Segundo o Banco Mundial, os riscos são significativos e dependerão da gravidade, duração e eficácia das medidas de contenção, tanto globais como no Brasil.

“Crises de saúde mais profundas ou mais longas podem aprofundar e prolongar a crise econômica. Uma recessão mais profunda também implicaria uma recuperação mais suave, pois a interrupção causa danos de longo prazo no balanços das empresas e das famílias e no mercado de trabalho.”

A implementação inadequada das respostas políticas à crise pode falhar em mitigar o impacto na pobreza ou na desigualdade, potencialmente alimentando o descontentamento social, advertiu o organismo internacional.

“Encontrar o equilíbrio certo entre alívio efetivo e sustentabilidade fiscal continua sendo importante. Fontes de resiliência incluem bancos bem capitalizados e uma forte posição de reserva, mitigando os riscos de contágio financeiro e paradas repentinas.”

“Pequenas e médias empresas estão particularmente em risco e exigirão mais apoio. Os desafios para a redução da pobreza aumentaram devido à crise econômica.”

Situação latino-americana e caribenha

O estudo afirma ainda que a pandemia de COVID-19 deverá lançar a América Latina e o Caribe em uma crise econômica.

Segundo estimativas do organismo internacional, a economia da região terá queda de 4,6% este ano, com avanço de 2,6% em 2021.

O relatório revela que os governos precisarão adotar várias políticas de resposta para proteger postos de trabalho e evitar a crise.

O objetivo é estender a proteção social e programas de assistência às pessoas em situação de vulnerabilidade que enfrentam as consequências do isolamento social e da falta de trabalho.

China e G-7

Uma outra preocupação do Banco Mundial é a interrupção na cadeia de suprimento.

A demanda da China e das sete maiores economias do mundo, o grupo dos G7, está caindo fortemente e afetando os exportadores de commodities da América do Sul.

O mesmo ocorre com os exportadores de serviços e de manufaturados da América Central. A queda no setor de turismo em países latino-americanos e caribenhos é outro sinal dos efeitos negativos da pandemia.

Para o Banco Mundial, outro motivo de alerta é o alto nível de informalidade na região. Isso dificulta o acesso dos programas de assistência a todos os lares.

O economista-chefe do Banco Mundial para América Latina e Caribe, Martín Rama, diz que os governos têm agora um grande desafio de proteger vidas e e evitar o colapso da economia.

Segundo o órgão, essa é uma ação que requer políticas coerentes numa escala rara.

Resposta do Banco Mundial

Desde o anúncio da pandemia, o Banco Mundial está tomando ações para apoiar países em desenvolvimento a fortalecer suas respostas à crise global de saúde.

O órgão já providenciou 160 bilhões de dólares para os próximos 15 meses com o objetivo assistir os países no apoio aos mais pobres, ao comércio e à recuperação econômica.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).