Banco Mundial: Jovens no Brasil encontram oportunidades de negócio no campo

Contrariando a tendência de urbanização do Brasil e da América Latina, jovens optam pelo empreendedorismo na zona rural.

Estevão e Leonardo Ferrari – de 23 e 21 anos, respectivamente – conseguiram prosperar dispondo de apenas 3 hectares de terra. Foto: Banco Mundial/ M. K. C

Estevão e Leonardo Ferrari – de 23 e 21 anos, respectivamente – conseguiram prosperar dispondo de apenas 3 hectares de terra. Foto: Banco Mundial/
M. K. C

A quilômetros de um dos litorais mais visitados pelos jovens da América do Sul, encontra-se um grupo de brasileiros com pouco mais de 20 anos que afirmam viver bem sem as atrações das grandes cidades. Eles se sustentam, gerenciam os próprios negócios e ainda sofrem menos estresse que o vivido nos centros urbanos.

Nascidos no campo, um grupo de jovens que participam do programa Santa Catarina Rural, uma iniciativa do Banco Mundial, descobriram na agricultura uma verdadeira vocação. Também encontraram nela a oportunidade de planejar um futuro profissional de longo prazo.

Jilson Vargas, de 25 anos, chegou a aceitar um emprego de escritório, mas levava meia hora para ir e o mesmo tempo para voltar. A vida mudou quando o grupo de jovens rurais de que Jilson participa pôde finalmente adquirir máquinas para sofisticar a produção de vime, material usado na fabricação de cestos e móveis. Hoje, nem ele nem a esposa, Thaíse, de 20 anos, têm vontade de deixar o sítio.

Eles sabem que estão na contramão dos brasileiros e dos latino-americanos em geral: tanto no país quanto na região, cerca de 80% da população vive em cidades. Ao mesmo tempo, o casal entende o quanto é necessário incentivar os jovens a ficar no campo. Afinal, caberá a eles – e aos filhos – cuidar da produção de matérias-primas agrícolas usadas em todas as indústrias.

Atualmente, três em cada dez latino-americanos dependem da terra para a sobrevivência. Em países como México e Peru, estima-se que 20% dos jovens trabalhem na zona rural. No Brasil, 8 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos vivem no campo, formando 27% da população rural.

Possibilidade no campo para os jovens

Também está nas mãos dos mais novos produzir comida suficiente para alimentar 9 bilhões de bocas em 2050. Para o estudante de zootecnia e gerente de processamento de carne, Josimar Sordi, a zona rural tem muitas possibilidades para o jovem que quer empreender, desde que haja condições para isso, a começar pela infraestrutura: estradas, eletrificação rural, internet e telefonia celular.

“Se o processo de criação de uma empresa for caro e demorado, os jovens estarão menos dispostos a fazer negócios. É preciso facilitar isso, bem como os processos de certificação de produtos e serviços”, acrescenta o economista Diego Arias, do Banco Mundial, que está à frente do programa Santa Catarina Rural.

O programa, uma parceria entre o Banco e o governo do estado, é exatamente o que vem permitindo a empreendedores como Jilson e Josimar ter um projeto de vida ligado ao campo. Iniciativas semelhantes vêm dando certo em países tão distantes quanto Armênia, Camarões, Malauí, Senegal e Sri Lanka.

Dados também do Banco Mundial mostram que investir na agricultura não sai caro quando se avaliam os benefícios para os produtores rurais: o aumento de renda associado com essa atividade é de 2 a 4 vezes mais eficaz na redução da pobreza do que o crescimento originado em outros setores.

Leia o artigo na íntegra em: http://bit.ly/1yhITHI