Banco Mundial e Prefeitura do Rio de Janeiro ampliam reflorestamento nos morros da cidade

Por meio de programa lançado na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), agência da ONU oferece recursos e apoio técnico para gerar renda com atividade com o financiamento de créditos de carbono.

Reflorestamento nos morros do Rio de Janeiro. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Reflorestamento nos morros do Rio de Janeiro. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

A prefeitura do Rio de Janeiro e o Banco Mundial fizeram uma parceria para ampliar os esforços de reflorestamento nos morros da cidade, onde normalmente há favelas. Cerca de 1,2 milhão de pessoas – 22% da população do município – vivem nessas áres e cerca de 300 mil pessoas estão em condições insalubres, uma consequência direta do desmatamento urbano.

“O reflorestamento nos morros do Rio é feito desde 1980, mas, para alcançar as áreas mais altas, a cidade precisa de recursos e assistência técnica. Com os créditos de carbono, é criada uma fonte de renda que sustenta esses esforços”, explica Franka Braun, especialista em financiamento de carbono no Banco Mundial, acrescentando que “nessa nova etapa do reflorestamento urbano, o Banco ajuda a prefeitura do Rio a desenvolver os aspectos relacionados à contagem, ao sequestro e ao financiamento de carbono”.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente vem medindo o potencial de ampliação do reflorestamento nas zonas mais distantes da cidade. Essas áreas precisam atender não só aos requisitos do Rio Capital Verde, mas também aos do Padrão Verificado de Carbono. Cerca de 5 mil hectares se encaixam nesses critérios.

À medida que as novas árvores forem crescendo, o Programa de Baixo Carbono do Rio de Janeiro, lançado pelo Banco Mundial e a prefeitura durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), avaliará o impacto no clima e os créditos de carbono gerados pela iniciativa. A cidade busca diminuir as próprias emissões de carbono em 16% até 2016 e em 20% até 2020, em comparação com os níveis de 2005.

População participa de esforços pelo reflorestamento do Morro da Formiga

Dejair dos Santos, 66, trabalha com o reflorestamento no Morro da Formiga há 25 anos. As mudas que ele vem plantando desde então evitam a erosão do solo, o que costumava causar deslizamentos de terra cada vez que chovia forte. Ele conta que algumas áreas da comunidade pegavam fogo facilmente, “mas que isso nunca mais aconteceu depois que substituímos o capim pelas árvores nativas da Mata Atlântica”. Esse esforço, feito pelos próprios moradores da comunidade não só ajudou a melhorar a biodiversidade e a diminuir os riscos de desastres no Rio, mas também permitiu à cidade resistir aos efeitos das mudanças climáticas.

Dejair dos Santos trabalha no reflorestamento do Morro da Formiga. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Dejair dos Santos trabalha no reflorestamento do Morro da Formiga. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

“Há pouco tempo, eu e os colegas notamos que as crianças queimaram a trilha que levava a uma cachoeira. Substituímos o capim da área por árvores frutíferas e organizamos uma caminhada bem divertida para mostrar a elas a importância de preservar a área. Todos adoraram, e agora queremos fazer isso sempre para garantir um futuro verde para a comunidade e o mundo”, relatou.