Banco Mundial disponibiliza US$ 150 milhões para combate ao vírus zika na América Latina e Caribe

Anúncio foi feito nesta quinta-feira (18). Impactos econômicos iniciais previstos para a região devem ser moderados, mas requerem medidas urgentes para impedir a propagação do vírus, disse o organismo internacional.

Larva do mosquito Aedes aegypti observada em microscópio óptico. Foto: Gutemberg Brito/Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)

Larva do mosquito Aedes aegypti observada em microscópio óptico. Foto: Gutemberg Brito/Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)

O Grupo Banco Mundial anunciou nesta quinta-feira (18) que disponibilizou de forma imediata 150 milhões de dólares para apoiar os países da América Latina e do Caribe afetados pelo vírus zika.

O valor é baseado nas atuais demandas de financiamento, após múltiplos contatos com os governos em toda a região, inclusive envolvendo o envio de equipes de especialistas aos países afetados. O Grupo Banco Mundial está pronto para aumentar o seu apoio caso seja necessário mais financiamento.

O anúncio foi acompanhado pela divulgação de projeções iniciais que mostram que o impacto econômico de curto prazo do vírus zika na região será modesto, totalizando 3,5 bilhões de dólares – ou 0,06% do PIB em 2016. O Banco observou, no entanto, que estas estimativas iniciais dependem de uma rápida e bem coordenada resposta internacional ao vírus zika, e nas atuais suposições de que os riscos de saúde mais significativos – e os comportamentos relacionados para evitar a transmissão – recaiam sobre as mulheres grávidas.

Este anúncio foi divulgado após a declaração de 1o de fevereiro da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a suspeita de associação entre infecção pelo vírus zika durante a gestação e microcefalia em recém-nascidos, bem como a relação com outras doenças neurológicas.

Mesmo com estas suposições, no entanto, um grupo de países altamente dependentes do turismo – especialmente no Caribe – poderia sofrer perdas de mais de 1% do PIB e exigir apoio adicional da comunidade internacional para conter o impacto econômico do vírus.

À medida em que novos conhecimentos emerjam sobre a transmissão do vírus zika e seus impactos, ou caso as percepções do público sobre os riscos do zika cresçam acentuadamente, os impactos econômicos serão reavaliados.

“Nossa análise ressalta a importância de uma ação urgente para impedir a propagação do vírus zika e proteger a saúde e o bem-estar das pessoas nos países afetados”, disse Jim Yong Kim, presidente do Grupo Banco Mundial. “O Grupo Banco Mundial está pronto para apoiar os países afetados por esta crise de saúde e para fornecer ajuda adicional, se necessário.”

O financiamento do Grupo Banco Mundial vai apoiar uma série de atividades críticas para combater o vírus zika, incluindo a vigilância e controle de insetos vetores; identificação das pessoas em maior risco, especialmente mulheres grávidas e em idade reprodutiva; acompanhamento e cuidados durante a gravidez e pós-natal para as complicações neurológicas; promoção do acesso ao planejamento familiar, conscientização pública, medidas de autoproteção, mobilização comunitária, e outras atividades para garantir uma resposta robusta, bem orientada, bem coordenada e multissetorial.

As equipes do Grupo Banco Mundial estão trabalhando ativamente com os países afetados em seus planos de resposta ao vírus zika e respondendo aos pedidos de apoio técnico.

“Os países da América Latina e do Caribe tornaram a resposta à emergência do vírus Zika uma prioridade”, disse Jorge Familiar Calderon, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe.

Refletindo sobre sua recente viagem ao Panamá, onde visitou a comunidade indígena Kuna em Usdub, ele disse: “Testemunhei em primeira mão como comunidades em toda a região estão trabalhando em conjunto para proteger com sucesso a população contra o vírus zika. Estamos prontos para continuar a apoiar os seus esforços através de aconselhamento técnico, disponibilização de conhecimentos e de financiamento”.

Confira aqui a nota técnica do Banco Mundial sobre os custos econômicos de curto prazo do vírus zika na América Latina e no Caribe.