Banco Mundial: adoção de novas tecnologias é fundamental para empregos do amanhã

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Em um momento de crescentes temores em relação a um futuro em que os trabalhadores são substituídos pela automação, a inovação tecnológica tem o potencial de criar mais e melhores empregos nos próximos anos na América Latina e no Caribe, tanto para os trabalhadores qualificados quanto para os não qualificados, segundo novo relatório do Banco Mundial divulgado na quarta-feira (11) em Buenos Aires.

“Devemos adotar e promover a tecnologia e a inovação para acelerar o crescimento econômico e a redução da pobreza e ampliar as oportunidades disponíveis para todos, ao invés de criar barreiras”, afirmou Jorge Familiar, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe. “Educação e treinamento de melhor qualidade são fundamentais para garantir que os jovens tirem o máximo proveito do mundo digital e estejam preparados para os empregos do futuro”.

Foto: Banco Mundial/Simone D. McCourtie

Foto: Banco Mundial/Simone D. McCourtie

Novo relatório divulgado na quarta-feira (11) em Buenos Aires pelo Banco Mundial indicou que as novas tecnologias são uma forma de reduzir a pobreza e desencadear uma onda de maior produtividade e crescimento na América Latina e no Caribe.

Em um momento de crescentes temores em relação a um futuro em que os trabalhadores são substituídos pela automação, a inovação tecnológica tem o potencial de criar mais e melhores empregos nos próximos anos na região, tanto para os trabalhadores qualificados quanto para os não qualificados, segundo o relatório “Empregos do Amanhã: Tecnologia, Produtividade e Prosperidade na América Latina e Caribe”.

“Devemos adotar e promover a tecnologia e a inovação para acelerar o crescimento econômico e a redução da pobreza e ampliar as oportunidades disponíveis para todos, ao invés de criar barreiras”, afirmou Jorge Familiar, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe. “Educação e treinamento de melhor qualidade são fundamentais para garantir que os jovens tirem o máximo proveito do mundo digital e estejam preparados para os empregos do futuro”.

De acordo com o documento, a América Latina e o Caribe têm taxas mais baixas de adoção de tecnologia digital do que países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso significa que há bastante espaço para aumentar a produtividade, apontou o relatório.

As barreiras comerciais também costumam elevar o preço das tecnologias, contribuindo para diminuir a produtividade. Por exemplo, os smartphones e tablets vendidos em alguns países da região estão entre os mais caros do mundo. As tarifas e impostos incidentes sobre a tecnologia acabam por restringir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita em mais de 1 ponto percentual ao ano em toda a região.

“Mais tecnologia significa maior produtividade”, ressalta o principal autor do relatório, Mark A. Dutz, economista-chefe do Banco Mundial na Prática Global de Macroeconomia, Comércio e Investimento. “As empresas podem reduzir seus custos variáveis, ampliar a produção, alcançar novos mercados, ganhar mais dinheiro e, ao longo desse processo, criar mais e melhores empregos”, diz.

Estudos sobre Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México constataram que os trabalhadores menos qualificados podem se beneficiar — e, de fato, frequentemente se beneficiam — da adoção de tecnologias digitais. Além disso, a tecnologia pode ter um forte impacto na mobilidade dos trabalhadores, facilitando o acesso dos candidatos a informações sobre oportunidades de emprego. Visto que a tecnologia melhora a correspondência entre empregadores e empregados, as duas partes saem ganhando.

As plataformas de negociação online também nivelam o jogo entre as pequenas e grandes empresas em busca de acesso a mercados internacionais. As transações internacionais pela Internet beneficiam desproporcionalmente as empresas menores — as mesmas que tendem a contratar trabalhadores relativamente menos qualificados.

O relatório aponta algumas áreas importantes onde as políticas podem ajudar a deslanchar o poder produtivo da revolução digital. Elas incluem disponibilizar tecnologias para empresas locais a preços globais e competitivos. Na Colômbia, por exemplo, as empresas manufatureiras que passaram a usar Internet de alta velocidade registraram um aumento direto na demanda por mão de obra e por trabalhadores menos qualificados na linha de produção, e também por trabalhadores profissionais de alta qualificação.

Outras políticas incluem garantir que as empresas tenham incentivos para investir em exportação e na modernização tecnológica, em vez de buscarem proteção contra a concorrência. Políticas e instituições que incentivam as empresas a competir levam a investimentos na melhoria da qualidade dos produtos e na redução de custos e preços, no lugar de investimentos na obtenção de privilégios do governo. As empresas também podem se beneficiar da adoção de melhores práticas de gestão para aumentar a produção e a distribuição — uma área com enorme potencial de crescimento na região.

O documento também sugere educar os trabalhadores e prepará-los para os empregos do futuro, que exigirão habilidades novas e mais sofisticadas. No Brasil, por exemplo, os funcionários de indústrias que fazem uso mais intensivo de tecnologia se dedicam, cada vez mais, a tarefas de natureza cognitiva e analítica; há uma grande demanda por habilidades interpessoais e de comunicação.

Não se deve rejeitar a tecnologia por medo das mudanças tecnológicas. As novas tecnologias podem – e devem – ser adotadas em apoio à prosperidade compartilhada na América Latina e no Caribe, conclui o relatório.


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