Banco Mundial: 1/4 das exportadoras brasileiras respondem por quase todas as vendas ao exterior

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Um quarto das empresas exportadoras do Brasil respondem por 98% das vendas do país ao exterior. Os números foram divulgados neste mês (14) pelo Banco Mundial, que criou uma nova plataforma para analisar dados sobre comércio exterior.

Organismo financeiro descreveu mercado de exportações brasileiro como “altamente concentrado”. Instituição também alerta para a baixa taxa de entrada de novas corporações no ramo das exportações.

Porto de Santos, em São Paulo. Foto: Prefeitura de Santos

Porto de Santos, em São Paulo. Foto: Prefeitura de Santos

Um quarto das empresas exportadoras do Brasil respondem por 98% das vendas do país ao exterior. Os números foram divulgados neste mês (14) pelo Banco Mundial, que criou uma nova plataforma para analisar dados sobre comércio exterior. Organismo financeiro descreveu mercado de exportações brasileiro como “altamente concentrado”. Instituição também alerta para a baixa taxa de entrada de novas corporações no ramo das exportações.

A avaliação do Banco Mundial foi feita a partir de estatísticas reunidas na Exporter Dynamics Database (EDD), a primeira base de dados pública sobre trocas entre países. Com informações sobre empresas de mais de 70 nações, a plataforma cobre temas como volume de mercadorias, concentração e diversificação, além das dinâmicas de entrada e sobrevivência nos mercados exportadores.

O organismo financeiro ressaltou que o mercado brasileiro de exportações é fechado, com um baixíssimo índice de entrada de novas empresas — apenas 22%, menor que a de países como Malauí, Laos e Tanzânia. Em compensação, as taxas de sobrevivência das corporações brasileiras são bem maiores, em torno de 50%.

Dois estudos publicados com base na EDD defendem uma série de medidas – como melhorar a logística, rever medidas protecionistas e buscar maior integração às cadeias globais de valor – para aumentar a competitividade do Brasil.

Sobrevivência, importações e produtividade na América Latina

Na América Latina e Caribe, diferentemente do que ocorre em regiões como o Oriente Médio e Norte da África, as empresas que vencem o primeiro ano de exportações são responsáveis, no longo prazo, por um crescimento significativo das vendas ao mercado externo. Na Costa Rica, por exemplo, 60% do total de exportações em 2007 foi de produtos e empresas que não existiam uma década antes.

O desafio para a região é como fazer as taxas de entrada e permanência aumentarem. A EDD mostra que a sobrevivência das novas empresas, para além do primeiro ano, é menor nos países em que os custos de comercialização são maiores.

Na República Dominicana, as taxas de entrada e saída das empresas são muito altas: 50% das empresas que estão exportando em um dado ano não realizavam essas operações no ano anterior, mas tampouco conseguirão manter as exportações no ano seguinte.

Com a digitalização de estatísticas de agências alfandegárias e de outras fontes, o Banco Mundial espera avançar em avaliações sobre o funcionamento do comércio exterior — o que permitiria reduzir custos de importações e exportações. O organismo financeiro também visa tornar mais eficazes os serviços de promoção comercial.

“Abertura comercial é uma condição fundamental para o crescimento econômico dos países. Mas o comércio não é realizado por países e sim, pelas empresas. A globalização mudou a cara delas e as colocou em uma posição central. Por isso, é tão importante estudá-las”, afirma a economista Ana Margarida Fernandes, que está à frente da EDD.

A especialista e sua equipe têm usado as estatísticas da plataforma para identificar boas práticas em países em desenvolvimento. Os analistas concluíram que, no Peru, por exemplo, o uso do procedimento de despacho antecipado — como modalidade de desembaraço aduaneiro para importação — é favorável ao desempenho das empresas atuantes no comércio exterior.

Outra descoberta importante foi a de que empresas peruanas expostas a tarifas mais altas e a barreiras não tarifárias compram menos do exterior e, por isso, exibem menor variedade em seus insumos importados. Como resultado, têm acesso menor a recursos e meios de produção que poderiam torná-las competitivas no mercado exportador.

O estudo avalia dados de 2000 a 2012 para dois setores fortes no Peru — o agronegócio e vestuário. A análise corrobora a política de ampla liberalização comercial adotada pelo país sul-americano na última década. Nesse período, as empresas que aproveitaram o ambiente político favorável à importação viram ganhos substanciais em sua produtividade e desempenho de exportação.

Cenário global

As empresas exportadoras são mais produtivas e inovadoras, pagam salários melhores e usam mais habilidades, segundo pesquisas realizadas com base na plataforma do Banco Mundial. Ao mesmo tempo, esse é um mercado que ainda favorece as grandes. Globalmente, 1% das empresas respondem por 56% das exportações — com a exceção do setor de petróleo e derivados. No longo prazo, essas firmas tendem a representar mais de 40% no crescimento das exportações.

No mundo, somente 43% dos novos exportadores sobrevivem ao primeiro ano de competição. Quanto mais pobre o país de origem da empresa, maior a possibilidade de ela fracassar.

Embora a maior parte das informações da EDD se refira ao período entre 2005 e 2012, para alguns países há números disponíveis desde os anos 1990 e até 2014. Saiba como acessar os dados da EDD clicando aqui.


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