Ban reconhece avanços na proteção da Camada de Ozônio, mas pede redução de gases do efeito estufa

O chefe da ONU afirmou que apesar de os hidrofluorcarbonetos (HFCs) usados em sistemas de refrigeração serem amplamente adotados como alternativa a produtos que destroem a Camada de Ozônio, foi provado que estes continuam sendo gases de efeito estufa extremamente potentes.

Apesar de os HFCs serem amplamente adotados como alternativa a produtos que destroem a Camada de Ozônio, eles são potentes gases do efeito estufa. Foto: NASA

Apesar de os HFCs serem amplamente adotados como alternativa a produtos que destroem a Camada de Ozônio, eles são potentes gases do efeito estufa. Foto: NASA

No Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu que os países fortalecessem a proteção do clima reduzindo o uso de hidrofluorcarbonetos.

“O mundo mudou desde o último Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio”, disse Ban, citando a adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris para o clima.

“Agora, precisamos transformar a ambição em ação, e reforçar a proteção do clima, aproveitando o poder do Protocolo de Montreal [relativo às substâncias que destroem a Camada de Ozônio] e progredir ao desacelerar o aquecimento no curto prazo causado por hidrofluorcarbonetos [HFCs], o gás de efeito estufa que mais cresce”, acrescentou.

O chefe da ONU afirmou que apesar de os HFCs, utilizados em sistemas de refrigeração e ar condicionados, serem amplamente adotados como uma alternativa a produtos que destroem a Camada de Ozônio, estes continuam sendo gases de efeito estufa extremamente potentes.

Enfatizando que a redução do uso de HFCs traria benefícios consideráveis assim como apoiaria a implementação do Acordo de Paris, o secretário-geral pediu que os países aproveitassem a reunião do próximo mês em Ruanda, onde discussões serão realizadas para atingir um consenso global sobre a redução dos HFCs sob o Protocolo de Montreal.

Ele acrescentou que o uso do regime do Protocolo de Montreal para reduzir os HFCs complementam esforços para a redução da emissão de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa sob a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

“Neste Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, vamos lembrar quanto já foi alcançado, e nos comprometer a fazer mais para proteger nossa atmosfera”, disse. “Trabalhando juntos, podemos construir um mundo mais seguro, saudável, próspero e resiliente para todas as pessoas enquanto protegemos nosso planeta, nossa única casa”, concluiu.

Em 1994, a Assembleia Geral da ONU proclamou 16 de setembro como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, lembrando a data da assinatura, em 1987, do Protocolo de Montreal para Proteção da Camada de Ozônio, que protege a Terra da radiação ultravioleta.

Como resultado dos esforços internacionais, a Camada de Ozônio está se refazendo e se espera que esteja recuperada até meados deste século. Além disso, o Protocolo de Montreal tem contribuído significativamente para a mitigação da mudança do clima, evitando a emissão de mais de 135 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente na atmosfera por meio da eliminação progressiva de substâncias danosas à Camada de Ozônio.

Sobre os HCFs

Os HFCs são substâncias sintéticas que não destroem a Camada de Ozônio, mas contribuem para o aquecimento global. São utilizados em aparelhos de ar condicionado, refrigeração, espumas e aerosol, e foram introduzidos no mercado como substitutos de algumas substâncias que destroem a Camada de Ozônio, como os HCFCs.

Desde 2015, as partes do Protocolo de Montreal iniciaram negociações de uma emenda ao tratado para controlar a produção e o consumo dos HFCs. Um acordo no marco do Protocolo de Montreal para reduzir o consumo dessas substâncias poderia evitar a emissão para a atmosfera de aproximadamente 150 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2 eq) até 2050 e impedir o aumento de até 0,4º Celsius na temperatura média da Terra até o fim do século, sem deixar de proteger a Camada de Ozônio.