Ban lembra aniversário de genocídio em Ruanda e pede combate ao discurso de ódio

Secretário-geral da ONU pediu que governos, sistemas judiciários e sociedade civil “se posicionem firmemente contra o discurso de ódio e aqueles que incitem a divisão e a violência”, no 22º aniversário do genocídio em Ruanda.

Estudantes participam de desfile durante celebrações da independência de Ruanda em 1962. Foto: ONU

Estudantes participam de desfile durante celebrações da independência de Ruanda em Kigali em 1962. Foto: ONU

No 22º aniversário do genocídio de Ruanda, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ressaltou nesta quinta-feira (7) o papel que o discurso de ódio tem em incitar a divisão e a violência, e pediu que a comunidade internacional “combata a ideologia do genocídio”.

Em sua mensagem no Dia Internacional para Reflexão do Genocídio de 1994 em Ruanda, o secretário-geral afirmou que o genocídio não é um evento único, mas parte de um processo que leva tempo e preparação.

“Um dos principais sinais de alerta é a disseminação do discurso de ódio no debate público e quando a mídia toma algumas comunidades em particular como alvo”,  disse Ban, afirmando que o tema deste ano para o dia é “O combate à ideologia do genocídio”.

Ele pediu que governos, sistemas judiciários e a sociedade civil “se posicionem firmemente contra o discurso de ódio e aqueles que incitem a divisão e a violência”.

“Com a região dos Grandes Lagos africanos ainda enfrentando sérias ameaças à paz e à segurança, a cura e a reconstrução permanecem essenciais”, disse.

Em 1994, mais de 800 mil pessoas foram sistematicamente assassinadas em Ruanda. A maioria era da etnia Tutsi, mas membros das etnias moderadas Hutu, Twa e outras também foram alvo. Confira aqui uma linha do tempo (em inglês) com os principais acontecimentos.

O secretário-geral se reunirá na semana que vem com sobreviventes do genocídio em Ruanda e do Holocausto. Este será um dos diversos eventos que ocorrerão nos próximos 100 dias, período que durou o genocídio. Os atos serão encerrados em 4 de julho, Dia da Libertação de Ruanda.