Ban Ki-moon elogia acordo pelo fim das hostilidades na Síria e fala em ‘sinal de esperança’

Acordo mediado pelo Grupo de Apoio Internacional à Síria prevê a cessação das hostilidades em todo o país a partir do dia 27 de fevereiro.

Edifícios fortemente danificados em Homs, na Síria. Foto: UNICEF / Juliette Touma

Edifícios fortemente danificados em Homs, na Síria. Foto: UNICEF / Juliette Touma

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, saudou o acordo anunciado nesta segunda-feira (22) pelo Grupo de Trabalho sobre o Cessar-fogo do Grupo de Apoio Internacional à Síria (ISSG, na sigla em inglês) que prevê a cessação das hostilidades em todo o país. O acordo, que deve entrar em vigor no próximo dia 27 de fevereiro, foi anunciado pelos copresidentes do ISSG – o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler russo, Sergey Lavrov.

Citando as “discussões longas e detalhadas” que precederam o anúncio, Ban Ki-moon disse por meio de um comunicado de seu porta-voz que acredita que o acordo, se respeitado, constituiria um passo significativo na implementação da resolução 2254 (2015) do Conselho de Segurança, que deu à ONU um papel reforçado na orientação aos lados opostos nas negociações para uma transição política, endossando um calendário para um cessar-fogo, uma nova Constituição e eleições.

“Isso demonstra o compromisso da ISSG de exercer influência sobre as partes em conflito para provocar uma redução imediata da violência como um primeiro passo para um cessar-fogo mais duradouro”, destacou Ban Ki-moon, acrescentando que o acordo “contribui ainda mais para a criação de um ambiente propício para a retomada das negociações políticas”.

“Acima de tudo, é um sinal muito aguardado de esperança para o povo sírio de que, após cinco anos de conflito, possa haver um fim para seu sofrimento à vista”, disse Ban.

Exortando as partes a respeitar os termos do acordo, o secretário-geral disse que o Escritório do Enviado Especial para a Síria está pronto para apoiar a implementação, tanto no terreno quanto em Genebra. A ONU também vai contar com a colaboração de membros do ISSG – a Liga Árabe, a União Europeia, as Nações Unidas e 17 países, incluindo EUA e a Rússia – para implementar as recentes resoluções.

“Temos muito trabalho agora para garantir a sua implementação. A comunidade internacional, o ISSG e as partes da Síria devem permanecer firmes em sua determinação”, ressaltou Ban Ki-moon.

ONU condena atentados em Damasco e Homs

O enviado especial das Nações Unidas para a Síria condenou firmemente atentados em duas cidades sírias neste domingo (21) que resultaram em mais de 150 pessoas mortas e muitas outras feridas, incluindo muitas crianças.

Em um comunicado emitido por seu porta-voz, o enviado da ONU, Staffan de Mistura, condenou o conjunto de explosões suicidas e com carros-bomba nas cidades de Damasco e Homs. Segundo o comunicado da ONU, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) assumiu a responsabilidade pelos atos terroristas.

Em um comunicado separado, Ban Ki-moon também condenou os múltiplos atentados. “O secretário-geral estende suas mais profundas condolências às famílias enlutadas e deseja uma rápida recuperação aos feridos. Os responsáveis por estes atentados atrozes e deliberados contra civis devem ser responsabilizados”, disse o porta-voz de Ban.

A ONU promove negociações de paz entre líderes do governo e da oposição em meio ao caos instaurado no país, em uma guerra que já dura cinco anos e, segundo grupos da sociedade civil, já tirou a vida de 400 mil pessoas. Grupos terroristas como o ISIL não participam das negociações.

Em janeiro, o secretário-geral da ONU lançou um plano de combate ao extremismo violento, buscando enfrentar as causas deste flagelo.