Ban Ki-moon condena ataque à ONU em Mali e diz que o ato não deterá os esforços de paz no país

O ataque suicida perto de uma base das Nações Unidas no Mali matou dois soldados da Força de Paz no país e feriu outras sete pessoas no último sábado (16).

Refugiados do Mali deixam suas casas em direção à Burkina Faso. Foto: ACNUR/B. Sokol

Refugiados do Mali deixam suas casas em direção à Burkina Faso. Foto: ACNUR/B. Sokol

Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou veementemente o ataque suicida perto de uma base das Nações Unidas no Mali, que matou dois soldados da ONU e feriu outras sete pessoas neste último sábado (16). Ban Ki-moon afirmou estar “profundamente entristecido” pela morte de soldados da paz da Missão das Nações Unidas de Estabilização Multidimensional Integrada no Mali (MINUSMA) e adicionou que qualquer ato criminoso contra o pessoal da ONU não será tolerado.

“Esses ataques não vão dissuadir as Nações Unidas a parar seus esforços para apoiar o povo do Mali em sua busca pela paz em seu país”, declarou Ban Ki-moon.

Ele expressou suas mais profundas condolências às famílias dos membros da forças de paz que foram mortos e desejou uma recuperação completa e rápida para aqueles que ficaram feridos no ataque que ocorreu em Ber na região de Timbuktu. No início desta semana, em dois incidentes separados, três outros soldados da ONU foram feridos por minas explosões no norte do Mali.

Apesar das melhorias de segurança iniciais em 2013, a situação no Norte do Mali se deteriorou desde o início deste ano. Um aumento em incidentes envolvendo artefatos explosivos improvisados​​, principalmente visando às forças de segurança do Mali e internacionais, tem impedido o retorno à normalidade e retomada das atividades econômicas e de desenvolvimento.

Acordos de paz

A primeira fase do processo de negociação inter-Mali, realizada de 16 a 24 de julho em Argel, para pôr fim à crise terminou com a adoção de um roteiro para todas as partes envolvidas. A segunda fase das conversações de paz começou no último domingo (17) em Argel.

Em julho, o Conselho de Segurança destacou a importância de um “processo de negociação abrangente e credível aberto a todas as comunidades do norte de Mali” para garantir uma solução política duradoura para a crise e longo prazo, a paz e a estabilidade, respeitando a soberania e a integridade territorial do Estado maliano. O Conselho exortou todas as partes a respeitar integralmente o acordo de cessar-fogo assinado em maio, bem como a declaração da cessação das hostilidades assinado em Argel.

Enquanto isso, as agências humanitárias das Nações Unidas alertaram que a crise de insegurança alimentar na região do Sahel da África pode ser exacerbada pelo terrorismo, a fraca governança e secas recorrentes. As lacunas de financiamento foram atrasando as intervenções que poderiam impedir a situação de segurança alimentar de agravamento.

A precária situação de segurança na região do Sahel e, especificamente, no Mali, é agravado pela pobreza e pelos refugiados que fogem do conflito em curso na vizinha República Centro-Africana e da Nigéria o. A região do Sahel se estende desde o Oceano Atlântico até o Mar Vermelho, e inclui Mali, bem como o Chade, Mauritânia, Níger e partes do Sudão, Camarões e Nigéria.