Ban condena decisão do governo do Sudão do Sul de expulsar coordenador humanitário da ONU

Cerca de 1,5 milhão de sul-sudaneses estão deslocados internamente no país e mais de 3,8 milhões – um terço da população de 11 milhões – não têm comida suficiente.

O vice-representante especial na Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) Toby Lanzer foi expulso do país pelo governo. Foto: UNMISS / JC McIlwaine

O vice-representante especial na Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) Toby Lanzer foi expulso do país pelo governo. Foto: UNMISS / JC McIlwaine

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou nesta segunda-feira (01) a decisão governo do Sudão do Sul de expulsar seu vice-representante especial e coordenador humanitário das Nações Unidas no país, Toby Lanzer.

“O secretário-geral da ONU apela ao governo do Sudão do Sul para reverter sua decisão imediatamente. Ele insta ainda o governo a cooperar plenamente com todas as entidades das Nações Unidas presentes no Sudão do Sul”, disse um comunicado do porta-voz de Ban Ki-moon divulgado na segunda-feira.

Lanzer, que também é coordenador residente e coordenador humanitário para a Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), tem sido muito útil em “abordar as crescentes necessidades humanitárias das comunidades afetadas pelo conflito no país” e “assegurar que a assistência humanitária para salvar vidas atinja os mais vulneráveis. Algo necessário por causa da contínua violência por ambas as partes, na ausência de um acordo de paz abrangente”, disse o comunicado.

Intensos combates nos estados de Unidade e do Alto Nilo ao longo dos últimos dois meses deslocaram mais de 100 mil pessoas e bloquearam as entregas de ajuda humanitária para cerca de 650 mil pessoas à medida que organizações de ajuda têm sido forçadas a retirar-se dessas localidades, confirmou um representante da agência de refugiados das Nações Unidas.

Desde o início do ano, cerca de 60 mil sul-sudaneses fugiram do país, principalmente para o Sudão, Etiópia e Uganda elevando o número total de pessoas que fugiram do país desde dezembro de 2013, para 555 mil. Cerca de 1,5 milhão estão deslocadas internamente no país e mais de 3,8 milhões – um terço da população de 11 milhões do país – não têm comida suficiente.

Dado o agravamento da segurança e da situação humanitária no lado sul-sudanês da fronteira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e os seus parceiros estão se preparando para o crescimento de deslocamentos.