Bachelet pede diálogo imediato para resolver crise no Chile

A alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta segunda-feira (21) a todos os atores políticos e da sociedade civil do Chile que se envolvam em um diálogo imediato e evitem polarizar ainda mais a situação com palavras ou atos, após a violência e a agitação que assolaram o país nos últimos dias.

“É preciso haver um diálogo aberto e sincero entre todos os atores envolvidos para ajudar a resolver essa situação, incluindo um exame profundo da ampla gama de questões socioeconômicas subjacentes à crise atual”, disse.

A alta-comissária alertou que “o uso de retórica inflamatória servirá apenas para agravar ainda mais a situação, arriscando criar medo generalizado”.

Alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, concede coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

Alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

A alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta segunda-feira (21) a todos os atores políticos e da sociedade civil do Chile que se envolvam em um diálogo imediato e evitem polarizar ainda mais a situação com palavras ou atos, após a violência e a agitação que assolaram o país nos últimos dias.

Pelo menos oito pessoas morreram, com algumas informações da imprensa sugerindo que o número pode chegar a 13. De acordo com a Instituição Nacional de Direitos Humanos, 44 pessoas ficaram feridas, nove delas gravemente, e 283 pessoas foram detidas no contexto dos protestos. Segundo o Ministério do Interior, o número de detidos chega a 1.906.

“Estou profundamente perturbada e triste ao ver a violência, a destruição, as mortes e os ferimentos que ocorreram no Chile nos últimos cinco dias”, disse Bachelet. “É essencial que todas as ações, pelas autoridades e pelos manifestantes, que levaram a ferimentos ou morte, sejam submetidas a investigações independentes, imparciais e transparentes”.

A alta-comissária alertou que “o uso de retórica inflamatória servirá apenas para agravar ainda mais a situação, arriscando criar medo generalizado”.

“As autoridades devem agir em estrita conformidade com os padrões internacionais de direitos humanos, e qualquer aplicação do estado de emergência deve ser excepcional e baseada na lei”, disse Bachelet.

“Há alegações perturbadoras de uso excessivo da força pelas forças de segurança e exército, e também estou alarmada com relatos de que alguns detidos tiveram acesso negado a advogados, o que é seu direito, e que outros foram maltratados enquanto estavam detidos.”

“Além disso, dezenas de membros das próprias forças de segurança teriam ficado feridos”, disse ela.

“No interesse da nação, exorto o governo a trabalhar com todos os setores da sociedade para encontrar soluções que possam ajudar a acalmar a situação e abordar as queixas da população. Exorto também todos aqueles que planejam participar de protestos ainda hoje e, a partir de agora, a fazê-lo pacificamente”, disse ela.

Bachelet também pediu às autoridades “que garantam que os direitos dos indivíduos à liberdade de expressão e de reunião pacífica sejam respeitados”.

“É preciso haver um diálogo aberto e sincero entre todos os atores envolvidos para ajudar a resolver essa situação, incluindo um exame profundo da ampla gama de questões socioeconômicas subjacentes à crise atual”, acrescentou.