Bachelet diz que México precisa reconhecer ‘sombras do passado’ para seguir em frente

Ao final de uma visita de cinco dias ao México em abril, a chefe de direitos humanos das Nações Unidas afirmou que o país está passando por um período “crucial”, no qual precisa reconhecer “as sombras do passado” para poder seguir em frente.

Michelle Bachelet relembrou desaparecimentos forçados, valas clandestinas, torturas de presos e outras violações de direitos humanos no país, elogiando o novo governo do presidente Andrés Manuel López Obrador, que se comprometeu a “buscar os desaparecidos e entregar verdade e justiça às famílias das vítimas”.

Manifestação pública em 2015 sobre desaparecimentos forçados no México. Foto: Daniel Cima/CIDH

Manifestação pública em 2015 sobre desaparecimentos forçados no México. Foto: Daniel Cima/CIDH

Ao final de uma visita de cinco dias ao México em abril, a chefe de direitos humanos das Nações Unidas afirmou que o país está passando por um período “crucial”, no qual precisa reconhecer “as sombras do passado” para poder seguir em frente.

Michelle Bachelet relembrou desaparecimentos forçados, valas clandestinas, torturas de presos e outras violações de direitos humanos no país, elogiando o novo governo do presidente Andrés Manuel López Obrador, que se comprometeu a “buscar os desaparecidos e entregar verdade e justiça às famílias das vítimas”.

Ao longo de sua visita, Bachelet se encontrou com famílias de crianças desaparecidas, com autoridades governamentais, entre outras, destacando que mais de 40 mil mexicanos estão oficialmente desaparecidos. Destes, 10 mil são mulheres e meninas. Além disso, 26 mil corpos não identificados foram registrados, junto a 850 sepulturas sem identificações.

Segundo Bachelet, os números de mortes violentas no México são semelhantes aos de um país em guerra. No total, foram 252.538 mortes violentas desde 2006.

“Meu escritório será um aliado e não hesitará em auxiliar nas investigações”, afirmou. “Iremos reconhecer quando autoridades cumprirem seus compromissos com as famílias das vítimas e também iremos apontar qualquer falta de progresso nos casos”.

Reconhecendo que desaparecimentos continuam, Bachelet disse que “mecanismos adequados” devem ser colocados em vigor, como uma Comissão da Verdade para “garantir a verdade para as vítimas e para a sociedade como um todo”.

‘Feridas que não estão limpas não irão cicatrizar’

“A busca pela verdade está intimamente relacionada com a busca por justiça. As feridas que não estão limpas não irão cicatrizar”, afirmou.

“As feridas abertas do passado, e aquelas que persistem no presente, exigem verdade, justiça, reparação e garantias de que não haverá repetição. A cura não acontece automaticamente; será resultado de ações e políticas concretas”.

Bachelet elogiou a disposição do presidente Obrador de colocar direitos humanos no centro de seu governo.

“Reconheço sua determinação e expresso minha prontidão e de meu escritório no México para apoiar esta importante mudança política”, afirmou.

Ela destacou que antes mesmo de assumir, o governo a havia convidado para uma visita, feita no início do mandato do presidente. Bachelet definiu o convite como “uma abertura para fortalecer a cooperação com organizações internacionais” a fim de promover uma sociedade que respeita direitos humanos.

“Os primeiros passos nesta direção são fundamentais”, afirmou, dizendo que o governo reconheceu a responsabilidade do Estado por sérias e amplas violações de direitos humanos, além de se desculpar por décadas de infrações.

Destacando o emblemático caso de Ayotzinapa, onde 43 estudantes de uma escola de formação de professores desapareceram, Bachelet afirmou que o governo e sua equipe irão trabalhar juntos para encontrar a verdade. O suposto assassinato dos estudantes foi subsequentemente encoberto, em meio a acusações de corrupção.


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