Avó e neta venezuelanas encontram segurança no Brasil

Em dezembro de 2018, a venezuelana Loraima Ruiz, de 54 anos, chegou ao Brasil com a neta, Débora, com o objetivo de dar uma vida melhor para a menina. A avó estava pesando 39 kg.

Em Roraima, as duas conseguiram uma vaga num abrigo e também numa escola brasileira, para que Débora pudesse retomar os estudos. O relato é do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Loraima (à esquerda) com a neta Débora, em Boa Vista, capital de Roraima. Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães

Loraima (à esquerda) com a neta Débora, em Boa Vista, capital de Roraima. Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães

A venezuelana Loraima Ruiz, de 54 anos, sempre se orgulhou de saber fazer “de tudo um pouco”. Ao longo de sua vida, trabalhou em uma plataforma de petróleo, como cabeleireira, em uma loja de presentes, fazendo artesanato, entre outras ocupações. Em dezembro de 2018, ela tomou a dura decisão de ir embora de seu país. E levou consigo a pequena Débora, uma de seus seis netos e netas.

“A situação estava muito difícil, então pensei que deveria levar ao menos uma das crianças embora. Assim, ficaria um pouco mais fácil para minhas filhas alimentarem as que ficaram”, explica a venezuelana.

Loraima chegou a Pacaraima, em Roraima, no dia 30 de dezembro de 2018. Das ruas, viu o alvorecer de 2019. Atendida pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) desde que entrou no Brasil, a venezuelana conseguiu abrigo na capital Boa Vista para ela e a neta. Na residência, elas podem se sentir, enfim, seguras.

“Estou dormindo bem, comendo e tomando banho. Cheguei com 39 kg, estava quase débil de tão fraca. Agora, estou com 51 kg”, conta a avó.

No atendimento a refugiados e migrantes, o UNFPA concentra esforços em grupos vulneráveis que precisam de assistência específica, conforme prevê o mandato da agência da ONU. Esses grupos incluem mulheres, gestantes, meninas, jovens, pessoas idosas, com deficiência, vivendo com HIV, indígenas e outros grupos étnico-raciais, além da população LGBTI.

O UNFPA busca assegurar que todos esses segmentos tenham informação apropriada sobre os seus direitos. A agência trabalha para viabilizar a inserção adequada desses grupos nos serviços de saúde e proteção social do Brasil. Outra frente do organismo é a promoção da resiliência comunitária.

Loraima participou de oficinas de treinamento em defesa pessoal — uma estratégia de prevenção contra a violência de gênero — e de rodas de conversa sobre saúde sexual e reprodutiva. Ambas as atividades foram promovidas pelo UNFPA.

A venezuelana continua seguindo a sua filosofia de vida, encontrando ocupações para se sustentar. Ela vende, dentro dos abrigos e fora deles, artigos para bebês feitos em tricô, sua principal fonte de renda. “Eu tenho muita vergonha de pedir dinheiro, então prefiro vender”, afirma Loraima.

A neta está na primeira série do ensino fundamental. “Não quero voltar (para a Venezuela). Aqui estou estudando e aprendendo, tem televisão e parque”, conta a menina, de seis anos. Com a simplicidade da infância, confessa um segredo: “gosto da escola porque lá a comida é boa”.