Autoridades uruguaias estão no Haiti para investigar acusação de abuso sexual cometido por soldados

Delegação de alto nível desembarcou no país caribenho para apurar denúncias. Suspeitos de agressão contra rapaz de 18 anos foram confinados, e seu comandante destituído.

Uma delegação uruguaia de alto nível chegou ao Haiti na sexta-feira (09/09) para investigar a denúncia de que quatro soldados do país teriam cometido abuso sexual de um haitiano de 18 anos. Ao mesmo tempo que busca provar a veracidade da acusação, os procedimentos da ONU buscam levar apoio legal, médico e psicológico para a vítima.

“Esse tipo de comportamento é profundamente preocupante e indesculpável. As ações de alguns, infelizmente, têm efeito de manchar as de milhares de outros – militares, policiais e civis – que serviram à MINUSTAH e ao Haiti com distinção desde 2004”, afirmou a Porta-Voz da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti, Eliane Nabaa.

Os soldados acusados foram confinados na base uruguaia de Les Cayes e o comandante foi destituído pelo Exército uruguaio.

A ONU, que há muito tempo implementou a política de tolerância zero em relação a abusos sexuais cometidos por soldados da paz, não tem autoridade para processar já que isso é jurisdição do país que contribui com a tropa. Entretanto, a Organização vai acompanhar de perto se as autoridades uruguaias cumprem com suas obrigações.

A Porta-Voz explicou que a ONU faz o máximo para evitar abusos, incluindo treinamento antes que as tropas integrem a missão para sensibilizar os soldados sobre direitos humanos, costumes, tradições e cultura do país onde serão empregados.

Nabaa citou o caso de outro soldado uruguaio que engravidou uma haitiana de 16 anos. Ele foi enviado de volta para seu país, proibido de servir em qualquer outra missão de paz da ONU e obrigado pelas autoridades uruguaias a dar apoio financeiro para mãe e filho.

Em seu último relatório, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a renovação do mandato da MINUSTAH por mais um ano. Ele destacou que, pela primeira vez na História do Haiti, o país testemunhou uma transição pacífica de um presidente democraticamente eleito para outro de oposição. Porém, registrou preocupação com o impasse entre Executivo e Legislativo e com a incerteza sobre a reforma constitucional.