Autoridades da ONU pedem mais ações para “conter a maré” do racismo e da intolerância

Secretário-Geral aponta avanços e desafios para combater a discriminação em reunião que marcou os dez anos da adoção da Declaração e do Plano de Ação de Durban.


Na reunião de Alto Nível da Assembleia Geral realizada hoje (22/09) para marcar o 10° aniversário da adoção da Declaração e do Plano de Ação de Durban, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a persistência de atitudes e práticas desumanas indicam que ainda não foram tomadas medidas suficientes para “conter a maré” da discriminação.

Entre os avanços feitos desde 2001 – ano da Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação, a Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, que produziu a Declaração – Ban citou as novas leis e instituições que buscam a justiça, além de novas iniciativas que promovem o diálogo e medidas para proteger as pessoas contra crimes como genocídio, limpeza étnica e formas contemporâneas de escravidão.

O Secretário-Geral alertou que a ignorância e a intolerância estão entre as causas fundamentais dos conflitos, sendo o racismo e a discriminação os principais obstáculos ao desenvolvimento. Ele disse que os tempos difíceis para a economia exacerbam o círculo vicioso em que a discriminação leva à privação, e a pobreza agrava a discriminação. “Devemos resistir à polarização dos políticos que jogam com os medos das pessoas e usam esteriótipos para obter vantagem eleitoral”, acrescentou.

O Presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, também observou que ainda é preciso fazer muito para combater o racismo e disse que é responsabilidade dos Estados tomar as medidas legislativas necessárias para prevenir práticas discriminatórias e garantis justiça às vítimas.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que é preciso confrontar as lacunas entre os compromissos feitos em 2001 e as ações que foram efetivamente tomadas. “Vamos prometer aqui e agora revitalizar nossos esforços nacionalmente, regionalmente e globalmente para combater os flagelos do racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada”, completou.