Autocuidado de meninas e mulheres deve ser acompanhado de políticas de saúde

O autocuidado de meninas e mulheres durante a pandemia de COVID-19 deve ser acompanhado de políticas de saúde – como acesso a serviços de acolhimento amigáveis, distribuição de insumos como medicamentos e métodos contraceptivos, e informação de qualidade.

A conclusão é de especialistas que participaram do terceiro webinário direcionado a jovens e adolescentes, realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) na semana passada (16).

Terceiro webinário direcionado para jovens e adolescentes, promovido pelo UNFPA, debateu estratégias para manter e promover a saúde mental durante a pandemia da COVID-19. Foto: UNFPA

O terceiro webinário direcionado para jovens e adolescentes, promovido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), debateu estratégias para manter e promover a saúde mental durante a pandemia da COVID-19.

Durante a conversa, as convidadas reforçaram os mecanismos necessários para manter uma rotina e lidar com o distanciamento social e as incertezas sobre o futuro.

A atividade realizada na semana passada (16) teve a participação da psicóloga Ludimila Mota Nunes, que lembrou a importância do empoderamento como fator predominante no autocuidado.

“Olhar para gente, se perceber, construir o seu próprio valor vai reforçar a sua identidade”, disse Nunes, que é professora de Psicologia na Universidade Estadual da Bahia e atua há 14 anos em clínica psicológica para adolescentes e adultos.

“O nosso equilíbrio emocional e mental é dinâmico, e estar atento aos sinais dessas mudanças emocionais é importante para buscar ajuda profissional e abrir a oportunidade para o diálogo e o entendimento do equilíbrio pessoal”, declarou.

Nunes recomendou ainda algumas ações que podem contribuir para o equilíbrio emocional e mental, como a atividade física, dança, meditação e sono de qualidade.

A adolescente Samyra de Oliveira Gama escolheu a escrita como forma de manter a saúde mental durante a pandemia. Moradora de Céu Azul (PR), Gama escreveu um livro, intitulado “Entre quatro mil estrelas”, que trata do empoderamento feminino.

“A minha maneira de enfrentar essa pandemia foi pela escrita, pois, ao relatar meus sentimentos e pensamentos, consegui entender alguns dos problemas e dificuldades que nós mulheres passamos. Dessa maneira, consigo motivar e realçar a importância dessa afirmação”, declarou.

Para a professora Valentina Rocha Virtílio, o tema do autocuidado é importante para a juventude. “Quando a jovem toma a frente nas mudanças, e se reconhece como uma voz ativa, fica perceptível sua capacidade.”

Na leitura de Virtílio, que é atriz, apresentadora e coordenadora do coletivo Baque Mulher em Foz do Iguaçu (PR), o empoderamento e o autocuidado precisam ser complementados por políticas públicas.

“As políticas públicas precisam estar alinhadas a uma juventude no plural, que traz em si muitas demandas. Esse entendimento também deve estar nos olhos de quem está legislando, para que consiga se comprometer e enfrentar os desafios das juventudes, principalmente dos mais vulneráveis”, afirmou.

No mesmo sentido, a assistente social e assessora técnica no UNFPA, Julia Alencastro, também frisou que o autocuidado deve ser acompanhado de políticas de saúde, como acesso a serviços de acolhimento amigáveis, distribuição de insumos como medicamentos e métodos contraceptivos, e informação qualidade.

Tais políticas também devem fortalecer a rede de proteção para que seja possível a prevenção e o enfrentamento dos diversos tipos de violências contra adolescentes e jovens.

“No contexto da pandemia é importante trazer o autocuidado como tema para fortalecer adolescentes e jovens para que eles e elas possam se articular e modificar as suas relações e seus espaços”, avaliou Cintia Cruz, analista técnica do UNFPA.

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