Aumento da violência no leste da Ucrânia coloca em perigo civis, alerta ONU

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A intensificação dos combates entre forças do governo e não governamentais em áreas densamente povoadas no leste da Ucrânia está colocando em perigo muitos civis no país. Programa Mundial de Alimentos apoia 220 mil pessoas vulneráveis.

Crianças comem refeição quente em um abrigo emergencial em Avdiivka, Ucrânia, na sequência de combates intensos no final de janeiro. Foto: UNICEF/Aleksey Filippov

Crianças comem refeição quente em um abrigo emergencial em Avdiivka, Ucrânia, na sequência de combates intensos no final de janeiro. Foto: UNICEF/Aleksey Filippov

A intensificação dos combates entre forças do governo e não governamentais em áreas densamente povoadas no leste da Ucrânia está colocando em perigo muitos civis no país. A informação é do coordenador humanitário da ONU para a região, Neal Walker.

“A situação no leste da Ucrânia é realmente grave. Entre os dias 21 de janeiro e 3 de fevereiro, os combates se intensificaram muito”, afirmou Walker, notando frequentes violações do cessar-fogo em regiões próximas às cidades de Avdiivka, Yasynuvata, Makiivka e Donetsk.

“Houve também combates extremamente intensos entre os dias 29 de janeiro e 3 de fevereiro”, acrescentou. Walker observou que o número de violações do cessar-fogo ultrapassou 30 mil em um mês.

O conflito no leste da Ucrânia entrou em erupção em março de 2014. Um cessar-fogo foi negociado em Minsk, Belarus, em fevereiro de 2015, mas houve violações frequentes. A última trégua começou em 23 de dezembro do ano passado.

“A distância que separa as partes em conflito se estreitou incrivelmente”, disse Walker. “Os lados estão agora frente a frente. Há também uma maior presença de armas pesadas, o que viola diretamente o acordo de Minsk”, destacou.

Segundo Walker, a situação humanitária está também muito crítica. “Não vamos esquecer que as temperaturas nas últimas semanas estiveram entre 10 e 20 graus abaixo de zero”, disse. O coordenador da ONU alertou ainda sobre danos à infraestrutura civil devido aos bombardeios.

“Provavelmente, há entre 800 mil e 1 milhão de deslocados internos (pessoas internamente deslocadas) em áreas controladas pelo governo da Ucrânia”, acrescentou Walker.

“Nós estimamos que outros 200 mil retornaram às áreas não controladas pelo governo, saindo das regiões controladas pelas autoridades do país”, continuou.

Desde o início do conflito, cerca de 10 mil pessoas foram mortas devido à violência, com mortes de civis em ascensão.

Agência das Nações Unidas alimenta cerca de 220 mil pessoas no país

O acesso à comida está se tornando mais difícil no leste da Ucrânia, já que os preços estão superando os rendimentos, disse hoje (15) a agência alimentar de emergência das Nações Unidas, alertando que sem intervenção em longo prazo, mais pessoas precisarão de ajuda humanitária nos próximos meses e até anos.

“Os preços dos alimentos estão aumentando em um momento em que as rendas das famílias são afetadas pelo desemprego, e vemos muitas famílias recorrendo a estratégias de enfrentamento negativas diante das dificuldades econômicas”, disse a representante do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) na Ucrânia, Dorte Ellehammer.

A agência da ONU informou que há cerca de 70 mil pessoas no leste da Ucrânia consideradas “mais vulneráveis”. Este grupo inclui idosos, famílias chefiadas por uma mãe solteira, pessoas com doenças crônicas ou deficiências e pessoas que não recebem ajuda humanitária.

Além disso, há até 150 mil pessoas consideradas “moderadamente inseguras em termos alimentares”, o que significa que elas lutam para encontrar ou comprar alimentos suficientes diariamente, de acordo com o PMA.


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