Aumento da violência em região da Síria é ‘grande preocupação’, diz chefe da ONU

Crianças e suas famílias que vivem em um campo improvisado em uma área de difícil acesso na zona rural ocidental de Alepo, na Síria. Foto: UNICEF/Watad

O chefe da ONU, António Guterres, disse nesta terça-feira (7) que está acompanhando “com grande preocupação” a intensificação dos confrontos no noroeste da Síria, que provocaram ainda mais perdas de vidas e deslocaram milhares nos últimos dias.

Os comentários do secretário-geral vêm em meio a relatos de ataques aéreos em centros populacionais e prédios civis dentro de uma zona desmilitarizada, desde setembro do ano passado sob a guarda da Rússia e da Turquia, no sul de Idlib e no norte rural de Hama.

Em um comunicado, Guterres disse ter ficado “alarmado” com a notícia de que centenas de civis foram mortos e feridos na intensificação dos combates entre forças do governo sírio apoiadas por seus aliados e forças armadas da oposição, incluindo o grupo terrorista filiado ao ISIL, o Hayat Tahrir al-Sham.

Guterres pede que lados em conflito defendam direito internacional e protejam civis

E em um apelo para que todas as partes defendam o direito internacional humanitário e protejam os civis no mês sagrado do Ramadã, ele observou que três instalações de saúde teriam sido atingidas por ataques aéreos em 5 de maio, elevando o total a pelo menos sete atingidos desde 28 de abril.

Ecoando sua preocupação, o escritório de direitos humanos da ONU (ACNUDH) em Genebra disse que nove escolas também foram atingidas desde 30 de abril.

“De acordo com informações coletadas pelo nosso escritório, pelo menos 27 civis foram mortos e 31 ficaram feridos desde 29 de abril, embora haja outras estimativas que são muito maiores”, disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani. “Estes são apenas os números que pudemos verificar completamente, e isso inclui muitas mulheres e crianças.”

Civis cada vez mais em risco, alerta escritório de direitos humanos da ONU

Observando que “pelo menos 11 hospitais ou instalações médicas foram atingidos por ataques aéreos e terrestres no norte de Hama e no sul de Idlib” nos últimos dias, Shamdasani advertiu que a situação dos civis estava se tornando cada vez mais precária.

“Ontem (6 de maio), as forças do governo começaram a avançar no terreno e capturaram aldeias de grupos armados não estatais no norte de Hama”, disse ela.

“Além disso, grupos não estatais realizaram contra-ataques em Latakia, então a violência está aumentando muito.”

Desde setembro do ano passado, pelo menos 323 mil pessoas foram deslocadas pelos combates no noroeste da Síria, segundo o escritório de coordenação humanitária da ONU (UNOCHA).

Dezenas de milhares de pessoas deslocadas, muitas vezes repetidamente

“A intensificação da ofensiva militar resultou ainda no deslocamento de dezenas de milhares de pessoas, deslocadas repetidas vezes rumo ao norte em direção ao norte e leste de Idlib e para o norte e oeste rural de Alepo, buscando segurança”, disse Shamdasani.

Em toda a Síria, mais de oito anos após o início dos combates, que custaram centenas de milhares de vidas, o OCHA estima que 6,2 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente. Seus recursos estão cada vez mais esgotados e mais de oito entre dez indivíduos vivem abaixo da linha da pobreza.

Necessidades humanitárias espantosas persistem fora do país também, com mais de 5,6 milhões de cidadãos sírios buscando abrigo no exterior.

Para 2019, a ONU e os parceiros humanitários pedem 3,33 bilhões de dólares para fornecer assistência essencial para salvar vidas e sustentar a vida a 11,7 milhões de sírios.

Representante brasileiro fala em “ondas de esperança”

Em entrevista à ONU News, em Nova Iorque, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito Internacional sobre a Síria, disse haver “ondas de esperança” em prol do fim do conflito, que devem ser apoiadas por ações dos países-membros das Nações Unidas.

Nesta quinta-feira (9), a Comissão apresentou um informe ao Conselho de Segurança sobre o nono ano de atuação do grupo. Confira a entrevista neste vídeo: