Aumento da repressão e violência contra profissionais de mídia no Egito preocupa ONU

Escritório de direitos humanos pede libertação imediata de todos os jornalistas que estão presos por terem realizado suas funções. Aumento do temor entre meios de comunicação é prejudicial à liberdade de expressão e opinião no país.

Escritório de direitos humanos pede libertação imediata de todos os jornalistas que estão presos por terem realizado suas funções. Aumento do temor entre meios de comunicação é prejudicial à liberdade de expressão e opinião no país.

Manifestantes revoltados apedrejam policiais no centro de Cairo, no segundo aniversário da revolução de 2011 que derrubou o presidente Hosni Mubarak do poder. Foto: IRIN/Amr Emam (foto de arquivo)

Manifestantes revoltados apedrejam policiais no centro de Cairo, no segundo aniversário da revolução de 2011 que derrubou o presidente Hosni Mubarak do poder. Foto: IRIN/Amr Emam (foto de arquivo)

Expressando profunda preocupação com as crescentes ameaças e ataques a profissionais de mídia no Egito, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediu nesta sexta-feira (31) que as autoridades investiguem denúncias de violência contra os jornalistas e libertem imediatamente todos os profissionais que estão presos por terem realizado suas funções.

“Nos últimos meses tem havido inúmeros relatos de assédio, detenção e perseguição de jornalistas nacionais e internacionais, bem como ataques violentos, incluindo vários que levaram a ferimentos de jornalistas que tentavam cobrir o terceiro aniversário da revolução egípcia no último fim de semana”, disse o porta-voz do ACNUDH, Rupert Colville.

Relatos não confirmados sugerem que vários jornalistas foram feridos por armas de fogo e balas de borracha no último sábado (25), algumas das quais podem ter sido disparadas por opositores ao governo, pela polícia ou por outras forças do governo.

Colville disse que o anúncio feito nesta quarta-feira (29) divulgando que o Procurador-Geral egípcio pretende levar a julgamento 16 jornalistas locais e quatro jornalistas estrangeiros, que supostamente trabalharam para a emissora internacional Al-Jazeera, com base em acusações “vagas”, que incluem “ajudar um grupo terrorista” e “prejudicar o interesse nacional”, é preocupante.

“Isto não só colocou um forte foco na perseguição sistemática de funcionários da Al-Jazeera – dos quais cinco já estão sob custódia – desde a queda do governo anterior em julho passado, como também levou a um aumento dos temores entre os meios de comunicação em geral, tanto nacionais quanto internacionais, o que é claramente e profundamente prejudicial à liberdade de expressão e de opinião”, afirmou Colville.

“Instamos as autoridades egípcias a libertarem imediatamente todos os jornalistas presos pela realização de atividades noticiosas legítimas no exercício dos seus direitos humanos fundamentais”, reiterou Colville. “É obrigação do Estado garantir que o direito à liberdade de expressão seja respeitado, e que os jornalistas sejam capazes de informar sobre diversos pontos de vista e questões que envolvem a atual situação no Egito.”