Cresce tensão entre vítimas de tufão nas Filipinas e ONU reforça proteção de mulheres e crianças

Agência da ONU para refugiados distribui lanternas movidas a energia solar, lonas, cobertores e roupas. Equipes de proteção trabalham para evitar exploração sexual e outros tipos de violência.

Cidade de Tacloban, nas Filipinas, após passagem do supertufão Haiyan. Foto: UNICEF/JMaitem

A agência da ONU para refugiados informou que está crescendo a tensão e o trauma, especialmente de mulheres e crianças, nos locais atingidos pelo tufão Haiyan, nas Filipinas, enquanto a ajuda humanitária chega ao país.

Um primeiro avião carregado com itens de ajuda humanitária do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) partiu nesta quarta-feira (13) de Dubai, em direção a Cebu, no centro do arquipélago filipino. A agência vai distribuir lanternas movidas a energia solar para mitigar os riscos de violência contra as mulheres e reforçar a proteção das famílias deslocadas. Também foram enviadas lonas plásticas, cobertores, roupas e outros itens de ajuda para cerca de 1,4 mil famílias. Esses recursos serão complementados por outros aviões contendo tendas e suprimentos para 16 mil famílias nos próximos dias.

“Nossa equipe está em contato com as autoridades locais e outros parceiros de proteção nas nove regiões afetadas para avaliar a segurança física dos sobreviventes, o acesso a serviços básicos e a assistência humanitária. Também estamos atentos à proteção das mulheres, crianças e outros grupos vulneráveis, tais como idosos, deficientes e outros grupos minoritários”, disse um porta-voz do ACNUR.

Estima-se que o tufão tenha deslocado mais de 800 mil pessoas. Os que vivem em casas ao longo da costa correm risco de novas inundações, uma vez que outra tempestade foi registrada nesta terça-feira (12). Algumas pessoas deslocadas preferem permanecer em suas casas parcialmente danificadas a dirigir-se a um dos mais de 1,4 mil centros de recepção. Outros montaram tendas improvisadas perto de suas casas.

Os sobreviventes precisam urgentemente de comida, água potável, medicamentos, roupas e lonas de plástico. Mas estradas danificadas, pontes e destroços acumulados dificultam o acesso humanitário, especialmente para áreas remotas. Isso está contribuindo para um clima de insegurança, pois algumas pessoas desesperadas estão saqueando mercados em busca de água e comida. Há relatos não confirmados de destruições de caixas de banco e roubos de suprimentos.

Sobreviventes traumatizados precisarão de aconselhamento psicossocial. A população deverá ser cada vez mais contatada para receber informações precisas sobre questões de proteção. Isso pode facilitar o monitoramento de incidentes e a criação de um sistema centrado em sobreviventes de violência de gênero.

A atual situação está colocando os mais vulneráveis em significativa situação de risco. Mulheres e crianças estão mendigando nas ruas por doações, expondo-se ao abuso e à exploração. Com linhas de energia ainda rompidas, a falta de iluminação aumentou a vulnerabilidade de mulheres e crianças em casa ou nos centros de recepção, especialmente à noite.

Como colíder do grupo de Proteção, o objetivo principal do ACNUR é auxiliar o Departamento de Assistência Social e Desenvolvimento e outras autoridades, tais como a Comissão Nacional de Direitos Humanos, na criação de um mecanismo conjunto de proteção nas áreas afetadas pelo tufão.

“Nossa equipe está fornecendo conhecimento e apoio técnico para tratar de questões de proteção, e também vai ajudar o governo a garantir a criação de um sistema para que as populações deslocadas tenham acesso à documentação civil e aos serviços essenciais”, disse o porta-voz do ACNUR.