Atual governo dos EUA tenta paralisar instituições internacionais, denuncia presidente do Irã

Em discurso no debate da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, criticou na terça-feira (25) a decisão de Donald Trump de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o país do Oriente Médio.

Durante seu pronunciamento, o líder iraniano afirmou que considerava “infeliz” o fato de que líderes mundiais estavam encorajando tendências racistas, xenofóbicas e extremistas, “não muito distantes do Nazismo”.

Presidente do Irã, Hassan Rouhani, discursa na plenária de chefes de Estado e Governo da 73ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU/Cia Pak

Presidente do Irã, Hassan Rouhani, discursa na plenária de chefes de Estado e Governo da 73ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU/Cia Pak

Em discurso no debate da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, criticou na terça-feira (25) a decisão de Donald Trump de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o país do Oriente Médio. Para Rouhani, o atual governo norte-americano tenta paralisar as instituições internacionais. O chefe do Estado iraniano chamou o estadunidense a retornar às negociações, em vez de impor mais sanções.

Horas antes de Rouhani subir na plenária das Nações Unidas, Trump acusou dirigentes iranianos de manterem um “ditadura corrupta” e de espalharem “caos, destruição e morte” no Oriente Médio. O líder norte-americano prometeu impor novas restrições econômicas ao país asiático.

Durante seu pronunciamento, o presidente iraniano afirmou que considerava “infeliz” o fato de que líderes mundiais estavam encorajando tendências racistas, xenofóbicas e extremistas, “não muito distantes do Nazismo”. Na visão do dirigente, o mundo sofre de “um descaso e de um desdém de alguns Estados pelos valores e instituições internacionais”.

Rouhani lembrou que o Irã honrou seus compromissos junto ao acordo nuclear, firmado em 2015 pelo país com os EUA, China, Rússia, Alemanha, União Europeia e Reino Unido. O tratado impunha mecanismos rigorosos para monitorar o programa atômico iraniano. Todos os 12 relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), lembrou o presidente iraniano, comprovam a conformidade das medidas adotadas pelo Estado após a adoção do texto.

Para o líder iraniano, Trump desafiou o direito internacional e também a promessa assumida por seu predecessor Barack Obama, ao anunciar em maio último a saída dos Estados Unidos do acordo. Rouhani pediu à ONU que garantisse que nenhum país pudesse se esquivar da implementação de compromissos internacionais. O presidente também denunciou as ameaças dos Estados Unidos a países que apoiam o tratado.

Segundo Rouhani, nenhuma nação pode ser levada a negociar “pela força”. “Nós lhe convidamos (Trump) a retornar à mesa de negociações que você deixou. Se você não gosta do plano de ação porque ele é fruto (dos esforços) de seus oponentes políticos, então volte à resolução, volte para as organizações internacionais. Não imponha sanções”, disse o presidente, enfatizando que as restrições e o extremismo são dois lados da mesma moeda.

“Eu estou começando um diálogo aqui mesmo”, completou Rouhani, que ressaltou que a ONU não é parte do governo dos EUA. O presidente iraniano acrescentou que, para retomar as conversas, também é preciso que as ameaças norte-americanas tenham um fim.