Atletas profissionais e amadores participam de corrida no Rio pela defesa dos direitos das mulheres

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Organizada por GNT, ONU Mulheres e parceiros, corrida realizada no último fim de semana no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, buscou mais adesões ao movimento ElesPorElas HeForShe, que tem como objetivo mobilizar sociedade, empresas, universidades e governos para a promoção da igualdade de gênero.

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Corredoras e corredores profissionais, amadoras e amadores, atletas de fim de semana, mulheres e homens de todas as idades e portes participaram no último domingo (28) da corrida #ElesPorElas, ocorrida no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. O evento mobilizou cerca de 5 mil participantes no percurso entre 5 km e 10 km.

Após o esforço físico, as corredoras e corredores seguiram animados às atividades promovidas pelo canal GNT, pela ONU Mulheres Brasil e seus parceiros, com o objetivo de pensar sobre a realidade das mulheres e meninas no país.

Entre os participantes estava o casal de noivos Luciene Barbosa e Cláudio Cavalcante. “A situação das mulheres é muito desigual em relação a direitos. Acho que isso deve ser reconhecido e deve ser dado o espaço delas, que é de direito”, disse Cláudio.

Em meio à dupla estava o cunhado, que também afirmou compromisso com o fim do machismo. “Comentei com eles, no início da corrida, a música do Erasmo Carlos. Aquela que diz que mulher é sexo frágil. Isso é uma mentira absurda. As mulheres são guerreiras e são muito mais do que possam imaginar muito homens, embora a maioria esteja se conscientizando. Direitos iguais sempre”, declarou Samuel Barbosa da Silva.

Integrante do grupo “Preta na Meta”, composto por 30 atletas negras, Vera Lúcia da Silva é uma corredora dedicada. Na semana passada, fez 21 km numa competição. Na vida, avalia como “muito difícil a situação das mulheres brasileiras”. “É só a gente ver que o salário não é igual para todas. E ainda tem a questão da violência”, acrescentou.

Corredor há mais de 40 anos, Antônio Alves, de 65 anos, fez o percurso com uma turma de jovens. “Vim prestigiar a corrida, inclusive, a iniciativa ElesPorElas. As mulheres estão desenvolvendo, cada vez mais, o seu papel de mulher. Ganharam muito espaço. O que vale é o companheirismo. A mulher ajudar o homem. E o homem ajudar a mulher. (…) Para que a gente tenha um mundo melhor e sem discriminação”.

Premiações

Cléber de Araújo, vencedor da prova de 10 km, recebeu o trófeu ElesPorElas das mãos de Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil. Após a premiação, manifestou seu posicionamento sobre o machismo.

“Tem que mudar muito para acabar com o machismo no Brasil. Tem que acabar o preconceito. Sou homem, mas não sou machista. Acho que educação é a saída”, disse Cléber. O atleta fez questão de deixar mensagem e nome no painel ElesPorElas e fazer sua adesão online à plataforma ElesPorElas.org.

Para Nadine, da ONU Mulheres, “a corrida #ElesPorElas é um convite para levarmos das pistas para a vida cotidiana a remoção de obstáculos que impedem a todas as mulheres e meninas de viver a vida com igualdade independentemente de seu gênero, raça e etnia”.

“Contamos com as mulheres e os homens para darmos passos decisivos na direção do empoderamento das mulheres e a colaborar para alcançamos mais adesões aos 50 mil compromissos já efetivados por brasileiras e brasileiros na plataforma ElesPorElas.org.”

Entre a premiação e a apresentação da cantora Larissa Luz, o público da Corrida ElesPorElas teve uma série de atividades. Entre elas, aula de dança ao som de ritmos latinos, embaladas com muita alegria e gritos de saudação ao movimento.

Em painel instalado próximo ao Monumento dos Pracinhas — soldados brasileiros assassinados durante a Segunda Guerra Mundial —, mulheres e homens leram frases de ativistas em defesa do empoderamento das mulheres, e deixaram a suas próprias mensagens.

Território livre de machismo

No show “Território Conquistado”, a cantora baiana Larissa Luz mostrou sua arte engajada com o fim do racismo e do machismo.

Com perfomance forte, fez homenagens a Elza Soares e à banda Ilê Ayiê ao incluir em seu repertório as músicas consagradas sob suas vozes — “A Carne” e “Que Bloco é Esse?”. Ao se dirigir ao público, Larissa decretou: “hoje, o aterro é território livre de machismo”, emendando com a música “Bonecas Pretas”.

ElesPorElas

O movimento ElesPorElas (HeForShe) incentiva os homens a se identificar com as questões da igualdade de gênero, reconhecendo o papel fundamental que eles podem desempenhar para acabar com a desigualdade enfrentada por mulheres e meninas em todo o mundo, em suas próprias vidas e também em níveis mais estruturais em suas comunidades. Saiba mais em www.heforshe.org/pt.


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