Atleta venezuelana ensina caratê para refugiados e migrantes em Pacaraima

Nos corredores da estrutura montada para receber refugiados e migrantes venezuelanos em Pacaraima (RR), na fronteira entre o país e o Brasil, a sensei faixa-preta em caratê Jhogsi Gómez treina novas alunas e alunos.

Campeã nacional do esporte na Venezuela — com 47 medalhas, sendo 17 de ouro —, a experiente professora dá aulas hoje em um cenário diferente. “Quando cheguei aqui, eu queria ajudar. Então, me cederam esse espaço para ensinar, principalmente as mulheres, a se defender”, conta.

Professora de caratê Jhogsi Gómez dá aulas em espaço da Operação Acolhida em Pacaraima (RR). Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães

Professora de caratê Jhogsi Gómez dá aulas em espaço da Operação Acolhida em Pacaraima (RR). Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães

Nos corredores da estrutura montada para receber refugiados e migrantes venezuelanos em Pacaraima (RR), na fronteira entre o país e o Brasil, a sensei faixa-preta em caratê Jhogsi Gómez treina novas alunas e alunos.

Campeã nacional do esporte na Venezuela — com 47 medalhas, sendo 17 de ouro —, a experiente professora dá aulas hoje em um cenário diferente. “Quando cheguei aqui, eu queria ajudar. Então, me cederam esse espaço para ensinar, principalmente as mulheres, a se defender”, conta.

Seus treinos coletivos ocorrem todas as noites, pontualmente às 19h, com a participação de pessoas que vivem no BV-8, o alojamento temporário da Operação Acolhida.

Jhogsi tinha uma vida estável com o marido e os três filhos pequenos na cidade de Cumaná quando a crise na Venezuela e a fome os impeliram a deixar tudo para trás, há dois meses.

Em Pacaraima, no Espaço Amigável do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Jhogsi foi amparada e ouvida. E foi por sugestão e intervenção da equipe local da agência da ONU que ela começou a promover os treinos noturnos. A ideia era empoderar mulheres do abrigo com técnicas de defesa do esporte.

A prevenção e resposta à violência baseada em gênero é um dos eixos que guiam o trabalho do UNFPA no contexto humanitário. Prevenir todas as formas de agressão contra mulheres e meninas faz parte do dia a dia da atuação dos profissionais junto aos refugiados e migrantes em Roraima. Parte dessa prevenção passa pela promoção da resiliência e do empoderamento, pela valorização da autoestima e pelo compartilhamento de técnicas de defesa pessoal.

O objetivo do UNFPA é, até 2030, alcançar três zeros: zero mortes maternas evitáveis, zero necessidades não atendidas de contracepção e zero violências ou práticas nocivas contra mulheres e meninas.

A sensei revela que pretende continuar lecionando caratê, quando conseguir um lugar para se estabelecer definitivamente. “É o que sempre amei fazer e vou continuar fazendo”, garante.