Atleta refugiado leva mensagem de paz às Olimpíadas de Inverno

“A paz é fundamental para tudo o que um Estado pode fazer”, disse o atleta refugiado Yiech Pur Biel em palestra na Coreia do Sul sobre a ONU e os valores olímpicos. “Uma pessoa precisa de muitas coisas – abrigo, comida, água, educação e serviços médicos – para sobreviver, mas o que todos eles significam sem paz? Como um refugiado que teve que fugir de um país em conflito, eu sei o quão importante é a paz.”

Yiech Pur Biel em cerimônia da trégua olímpica em PyeongChang. Atleta carrega mensagem com dizeres "Eu amo a paz". Foto: ACNUR/H. Shin

Yiech Pur Biel em cerimônia da trégua olímpica em PyeongChang. Atleta carrega mensagem com dizeres “Eu amo a paz”. Foto: ACNUR/H. Shin

O atleta refugiado Yiech Pur Biel foi às Olimpíadas de Inverno em PyeongChang não para competir, mas para levar uma mensagem de paz à dividida península coreana. O esportista, que se dedica ao atletismo, modalidade não contemplada pelos Jogos de 2018, também participou de palestra da ONU em Seul sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e os valores olímpicos.

“A paz é fundamental para tudo o que um Estado pode fazer”, disse Pur ao público do encontro na capital da Coreia do Sul. “Uma pessoa precisa de muitas coisas – abrigo, comida, água, educação e serviços médicos – para sobreviver, mas o que todos eles significam sem paz? Como um refugiado que teve que fugir de um país em conflito, eu sei o quão importante é a paz.”

O atleta foi forçado a fugir da guerra no Sudão do Sul em 2005, quando tinha apenas dez anos de idade, deixando seus pais e chegando sozinho ao campo de refugiados de Kakuma, no norte do Quênia. Atualmente, mais de 2,5 milhões de refugiados sul-sudaneses vivem em países como Quênia, Uganda e Etiópia.

Em seu discurso, Pur lembrou o momento emocionante em que conseguiu falar com sua mãe por telefone depois de ter sido selecionado para fazer parte da primeira Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, que competiu nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. O atleta participou da prova dos 800 metros rasos.

“Minha vida mudou desde então”, contou. “Depois que eu me tornei membro da primeira Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, eu pude continuar com minha educação na faculdade e tive a chance de mostrar ao mundo que, como refugiado, você ainda pode fazer algo bom.”

Para os refugiados que desejam se tornar atletas como ele, Pur disse que o caminho não é fácil e “leva tempo e treino”. “Seja dedicado e tenha fé e você poderá conseguir algo na vida, mesmo sendo um refugiado e não tendo temporariamente um país”, completou.

O atleta acrescentou que estava emocionado com o fato de que as Coreias do Sul e do Norte haviam decidido marchar sob uma única bandeira durante a abertura dos Jogos de Inverno. “É realmente ótimo que os dois lados concordaram nisso”, disse. Pur também participou da cerimônia do Mural da Trégua do Comitê Olímpico Internacional.