Atlas Brasil 2013: nova entrevista analisa evolução do Relatório de Desenvolvimento Humano

O trabalho de assistência e cuidados, geralmente prestado por mulheres, também será abordado no próximo RDH. Foto: ONU/Liba Taylor

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) convidou Selim Jahan, economista bengalês e chefe do escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), para inaugurar este ano a série de entrevistas que conformam o “Atlas Brasil 2013 – Desenvolvimento Humano”.

Passados 25 anos da publicação do primeiro relatório, Jahan ressalta que a premissa continua a mesma: as pessoas são a verdadeira riqueza das nações. O documento que traz o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) surgiu como um contraponto à visão de desenvolvimento da época, que usava o Produto Interno Bruto (PIB) como único indicador, e tornou-se referência mundial sobre o tema, colocando as pessoas no centro do debate.

O principal responsável do RDH antecipa que a próxima análise abordará como o conceito de trabalho pode impactar o desenvolvimento humano. Outro aspecto tratado é o chamado trabalho de cuidados, também conhecido como trabalho de assistência. Essa modalidade – geralmente não reconhecida e valorizada – é prestada por mulheres na maior parte do mundo e, por isso, possui um forte aspecto de gênero que deve ser estudado para entender suas dinâmicas e implicações para o desenvolvimento humano.

“Quando falamos de trabalho, basicamente, falamos sobre empregos tradicionais, mas sabemos que em nossa vida familiar, em nossa vida comunitária, há o trabalho de cuidado no seio das famílias e sociedades. Há trabalho voluntário que as pessoas fazem, há também o trabalho criativo – dos escritores, dos pintores, dos músicos. Todos estes conduzem ao desenvolvimento humano”, disse.

A reinvenção do mundo do trabalho também trouxe mudanças que estão sendo incorporadas gradualmente nas sociedades. O trabalho à distância, por exemplo, já é uma realidade. Jahan defende que escritórios não são mais necessários já que graças aos avanços tecnológicos é possível trabalhar de qualquer lugar. E a revolução digital não para por aí. A previsão é que, nos próximos anos, algumas ocupações devem desaparecer enquanto diversas outras irão surgir. “Em um estudo recente, li que as crianças que irão nascer daqui a 20 anos, por exemplo, ainda não tiveram seus trabalhos inventados”.

Veja o vídeo da entrevista na íntegra: