Atendimento de baixa qualidade agrava complicações e despesas de saúde, aponta OMS

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Diagnósticos imprecisos, erros de medicação, tratamento inadequado ou desnecessário, instalações e práticas clínicas impróprias ou pouco seguras, além de profissionais de saúde sem treinamento e experiência adequados, são problemas em todos os países, ricos ou pobres. É o que revela um relatório divulgado nesta quinta-feira (5) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Hospital público no Brasil. Foto: EBC

Hospital público no Brasil. Foto: EBC

Diagnósticos imprecisos, erros de medicação, tratamento inadequado ou desnecessário, instalações e práticas clínicas impróprias ou pouco seguras, além de profissionais de saúde sem treinamento e experiência adequados, são problemas em todos os países, ricos ou pobres. É o que revela um relatório divulgado nesta quinta-feira (5) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Pesquisa mostra que o cenário se agrava em nações de baixa e média renda, onde 10% dos pacientes hospitalizados têm probabilidade de adquirir uma infecção durante sua permanência nesses centros de atendimento. Nos países de alta renda, o índice é de 7%. Isso ocorre mesmo quando as infecções hospitalares podem ser facilmente evitadas por meio de uma melhor higiene, melhores práticas de controle e uso apropriado de antimicrobianos.

Nas nações ricas, um em cada dez pacientes sofre algum ferimento ou machucado ao receber tratamento. Nesses países, cerca de 15% dos gastos hospitalares representam erros no atendimento ou recursos usados para tratar pacientes infectados enquanto estão em centros clínicos. Doenças associadas aos cuidados de saúde de má qualidade também geram mais despesas para as famílias e os sistemas.

Segundo as instituições que produziram o relatório, pode chegar a trilhões de dólares os custos econômicos e sociais mais amplos do atendimento de baixa qualidade, incluindo devido a incapacidade e deficiência de longo prazo e quedas na produtividade.

“Na OMS, estamos comprometidos em garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam obter serviços de saúde quando e onde precisarem”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Estamos igualmente comprometidos em garantir que esses serviços sejam de boa qualidade. Francamente, não pode haver cobertura universal de saúde sem atendimento de qualidade.”

Em oito países do Caribe e da África, com alta taxa de mortalidade, pesquisas revelaram que são poucos os serviços eficientes para a saúde materno-infantil. Apenas 28% dos cuidados pré-natais, 26% dos serviços de planejamento familiar e 21% do atendimento a crianças doentes foram avaliados como “eficazes”.

Para o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, “sem serviços de saúde de qualidade, a cobertura universal de saúde continuará sendo uma promessa vazia”. Segundo o dirigente, são necessários investimentos “para criar confiança nos serviços de saúde e dar a todos o acesso aos serviços de alta qualidade centrados nas pessoas”.

Outros estudos compilados pela OMS e seus parceiros mostram que, em sete países africanos de baixa e média renda, as diretrizes clínicas para problemas de saúde comuns foram seguidas em média menos de 45% do tempo. Diagnósticos precisos respondiam por, no máximo, 75% de todos os reconhecimentos de doenças e outras condições. Em alguns territórios, o índice caía para cerca de 30%.

“A boa saúde é a base do capital humano de um país e nenhum deles pode pagar por cuidados de saúde insalubres ou de baixa qualidade”, ressaltou o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim. “Cuidados de baixa qualidade afetam desproporcionalmente os pobres, o que não é apenas moralmente repreensível, é economicamente insustentável para famílias e países inteiros.”

Apesar dos desafios, a OMS identificou avanços em anos recentes, com melhorias nas taxas de sobrevivência para câncer e doenças cardiovasculares.

A publicação da agência da ONU defende que países tracem estratégias nacionais para aumentar a qualidade do atendimento. Políticas devem focar na experiência do usuário, para identificar lacunas e garantir a confiança no sistema de atendimento. Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.


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