Atenção pobre à saúde mental compromete desenvolvimento na América Latina, alerta Banco Mundial

Menos de 2% do orçamento de saúde na região se destina à saúde mental. Por isso o Banco Mundial quer incluir o tema da saúde mental na agenda de desenvolvimento e prioridades das autoridades econômicas e de saúde de seus países-membros.

Hospital psiquiátrico em Manaus. Foto: Agência Brasil/Antonio Cruz

Hospital psiquiátrico em Manaus. Foto: Agência Brasil/Antonio Cruz

A depressão é o transtorno mental mais comum em todo o mundo. Na América Latina, 5% da população adulta sofre dela, mas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria não busca nem recebe tratamento.

Nos casos mais graves, a depressão pode levar ao suicídio; estima-se que cerca de 63.000 pessoas se matem a cada ano nas Américas. Quando o sofrimento é mais leve, também pode afetar o cotidiano, o trabalho e as relações pessoais. Para dar uma ideia da dimensão do problema, os transtornos mentais e neurológicos representam quase um quarto do total das doenças na América Latina e no Caribe.

As doenças mentais também afetam o desenvolvimento de um país, já que são uma das maiores causas mundiais de incapacitação. O economista do Banco Mundial, Roberto Lunes, lembra que muitos perdem tempo de trabalho e têm sua produtividade reduzida por conta de doenças mentais. Segundo ele, fala-se com frequência do impacto sobre a produtividade exercido pelos problemas “físicos”, mas discute-se muito pouco a saúde mental.

Apesar disso, segundo a OMS, menos de 2% do orçamento de saúde na região se destina à saúde mental. Por isso o Banco Mundial, cuja finalidade principal é fomentar o desenvolvimento econômico e o combate à pobreza, quer incluir o tema da saúde mental como elemento importante na agenda de desenvolvimento e prioridades das autoridades econômicas e de saúde de seus países-membros.

Por ser também uma questão de direitos humanos, a iniciativa SaluDerecho, do Banco Mundial, apoia esforços na área da saúde mental na América Latina.

Panorama brasileiro

As coisas já estão mudando em alguns países da América Latina. No Brasil, por exemplo, se 20 ou 30 anos atrás a estratégia visava principalmente os transtornos mentais graves e os pacientes em hospitais psiquiátricos, agora ela foi ampliada, explicou o professor do Departamento de Medicina Preventiva da USP, Paulo Rossi Menezes.

“Houve uma mudança muito grande na política de saúde mental do país”, disse. “Hoje nossa política de saúde mental não se baseia nos hospitais, mas em centros de atendimento psicossocial e na integração da saúde mental ao atendimento primário e geral.”

Leia na íntegra a reportagem em http://bit.ly/1DqBmKs