Ataques deliberados contra civis e uso de armas químicas continuam na Síria, alerta comissão da ONU

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Apesar da redução da violência em alguns lugares da Síria, as partes em conflito continuaram perpetrando “crimes impensáveis” contra civis, incluindo o uso de armas químicas pelas forças governamentais, disse um grupo de investigadores das Nações Unidas em um novo relatório.

“Isso ressalta mais uma vez como os homens, mulheres e crianças sírias permanecem como as principais vítimas da violência perpetrada pelas forças pró-governo, grupos armados antigovernamentais, organizações terroristas e suas afiliadas”, afirmou o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre Síria.

Crianças caminham entre casas destruídas pelo conflito em curso no leste de Alepo, na Síria. Foto: UNICEF/Rami Zayat

Crianças caminham entre casas destruídas pelo conflito em curso no leste de Alepo, na Síria. Foto: UNICEF/Rami Zayat

Apesar da redução da violência em alguns lugares da Síria, as partes em conflito continuaram promovendo “crimes impensáveis” contra civis, incluindo o uso de armas químicas pelas forças governamentais, disse hoje (6) um grupo de investigadores das Nações Unidas em um novo relatório.

“Isso ressalta mais uma vez como os homens, mulheres e crianças sírias permanecem como as principais vítimas da violência perpetrada pelas forças pró-governo, grupos armados antigovernamentais, organizações terroristas e suas afiliadas”, afirmou o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre Síria, em uma coletiva de imprensa em Genebra que marcou o lançamento do relatório.

Em seu décimo quarto relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra, cobrindo o período entre março e julho deste ano, a Comissão observou que a força aérea síria usou gás sarin em Khan Shaykhun – local dominado pela oposição ao governo – no dia 4 de abril, matando mais de 80 pessoas. A maioria das vítimas são mulheres e crianças.

Um comunicado de imprensa emitido pela Comissão observou que tais ataques constituem “violações claras do direito internacional humanitário e da Convenção sobre Armas Químicas”, que a Síria ratificou em 2013 após um ataque anterior também com gás sarin.

“O relatório sobre crimes hediondos e violações é o cerne do nosso trabalho”, afirmou o presidente da Comissão, acrescentando que o painel tem o dever de atribuir responsabilidades, independentemente do autor dos crimes.

Pinheiro disse que a maioria dos incidentes em que civis são mortos e mutilados envolve o uso ilegal de armas convencionais, como munições de fragmentação e armas explosivas em áreas habitadas por civis.

O relatório também examinou as tréguas locais. O chamado “Acordo de Quatro Cidades” incorporou acordos de evacuação que resultaram no deslocamento forçado de civis, um crime de guerra.

“Os civis não deixaram estes locais voluntariamente”, disse Pinheiro, explicando que a maioria nunca foi consultada e sentiram que não tinham outra escolha, temendo represálias como prisões e recrutamento forçado caso permanecessem.

O relatório também documentou vários ataques promovidos pelos grupos terroristas Hay’at Tahrir al-Sham (antes chamado de al-Nusra) e o ISIL, bem como por combatentes de grupos armados.

Os grupos terroristas e outros grupos armados visavam minorias religiosas através de atentados suicidas e automóveis, o uso de atiradores e de reféns, inclusive em áreas controladas pelo governo sírio. Em al-Rashidin (Alepo), um único carro-bomba matou 96 pessoas, incluindo 68 crianças internamente deslocadas. Estas pessoas haviam fugido das áreas sitiadas de Fu’ah e Kafraya (Idlib).

O relatório também descobriu que as forças dos EUA não conseguiram tomar todas as precauções para proteger civis ao atacar supostos terroristas e destruir parte de um complexo de mesquitas em al-Jinah, Alepo, em março, em violação do direito internacional humanitário.

Investigações estão em andamento sobre alegações de que ataques de coligação internacional, realizados como parte da ofensiva em curso para repelir o ISIL de Raqqa, resultaram em números cada vez mais alarmantes de vítimas civis.

A Comissão afirmou estar “profundamente preocupada” com o fato de que a ofensiva levou ao deslocamento interno de cerca de 190 mil pessoas, com outras 20 mil pessoas vivendo em condições precárias dentro de Raqqa.

As investigações também indicam que, antes de fugir da Síria, os combatentes do ISIL estão tentando vender mulheres e meninas Yazidi escravizadas – vítimas de um genocídio em curso, de acordo com a Comissão. Os dois outros membros da Comissão são Karen AbuZayd e Carla Del Ponte.

Acesse o relatório lançado nessa quarta-feira (6) clicando aqui.


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