Ataques de Trump violam normas básicas de liberdade de imprensa, dizem especialistas da ONU

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Especialistas da ONU e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenaram na quinta-feira (2) os repetidos ataques do presidente norte-americano, Donald Trump, contra a liberdade de imprensa, e afirmaram que sua retórica pode resultar em um aumento da violência contra jornalistas.

“Esses ataques vão contra as obrigações do país de respeitar a liberdade de imprensa e a lei internacional de direitos humanos”, disseram os especialistas. “Estamos especialmente preocupados com o fato de esses ataques aumentarem os riscos de jornalistas serem alvo de violência”.

Presidente norte-americano Donald Trump na sede da ONU, em 2017, para o debate geral da Assembleia Geral. Foto: ONU/Rick Bajornas

Presidente norte-americano Donald Trump na sede da ONU, em 2017, para o debate geral da Assembleia Geral. Foto: ONU/Rick Bajornas

Especialistas da ONU e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenaram na quinta-feira (2) os repetidos ataques do presidente norte-americano, Donald Trump, contra a liberdade de imprensa, e afirmaram que sua retórica pode resultar em um aumento da violência contra jornalistas.

Eles pediram que Trump e sua administração interrompam medidas que tenham como objetivo minar o papel da imprensa de responsabilizar e cobrar honestidade e transparência do governo.

“Seus ataques são estratégicos, desenhados para minar a confiança no jornalismo e levantar dúvidas sobre fatos verificáveis”, disseram David Kaye e Edison Lanza, relatores especiais para a liberdade de expressão da ONU e da CIDH, respectivamente.

O presidente classificou a mídia como “inimiga do povo norte-americano”, como “muito desonesta” e fabricante de “notícias falsas”, e acusou a imprensa de “distorcer a democracia” ou espalhar “teorias conspiratórias e ódio cego”.

“Esses ataques vão contra as obrigações do país de respeitar a liberdade de imprensa e a lei internacional de direitos humanos”, disseram os especialistas. “Estamos especialmente preocupados com o fato de esses ataques aumentarem os riscos de jornalistas serem alvo de violência”.

Os especialistas disseram que, durante seu mandato, Trump e outros membros de sua administração buscaram minar reportagens sobre desperdícios, fraudes, abusos, condutas potencialmente ilegais e desinformação.

“Cada vez que o presidente chama a mídia de ‘inimiga do povo’ ou não permite que jornalistas de veículos indesejados façam perguntas, ele sugere motivações ou animosidades nefastas”, disseram. “Mas ele não conseguiu demostrar sequer uma vez que alguma notícia foi elaborada com quaisquer motivações desfavoráveis”.

“É fundamental que a administração norte-americana promova o papel de uma imprensa vibrante e contra a desinformação desenfreada. Para esse fim, pedimos ao presidente Trump que não apenas pare de usar sua plataforma para denegrir a mídia, mas que condene esses ataques, incluindo ameaças dirigidas à imprensa em seus próprios eventos.”

“O ataque à mídia vai além da linguagem empregada pelo presidente Trump. Também pedimos que toda sua administração, inclusive ao Departamento de Justiça, evite processos judiciais contra jornalistas em um esforço para identificar fontes confidenciais, um esforço que mina a independência da mídia e a capacidade do público de ter acesso à informação.”

“Pedimos ao governo que pare de perseguir ‘whistle-blowers’ (delatores) a partir da Lei de Espionagem, que não fornece nenhuma base para uma pessoa argumentar sobre o interesse público de tal informação.”

“Nós nos posicionamos com a mídia independente nos Estados Unidos, uma comunidade de jornalistas e editores e emissoras há muito tempo entre os exemplos mais fortes de jornalismo profissional em todo o mundo. Instamos especialmente a imprensa a continuar, onde isso acontece, seus esforços para responsabilizar todas as autoridades.”

Os especialistas encorajaram todos os meios de comunicação a agirem em solidariedade contra os esforços do presidente Trump de favorecer alguns veículos em detrimento de outros.

“Dois anos de ataques à imprensa podem ter implicações negativas no longo prazo para a confiança do público na mídia e nas instituições públicas”, disseram os especialistas. “Dois anos é muito tempo, e pedimos veementemente que o presidente Trump, sua administração e seus apoiadores parem com esses ataques”.


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