Ataque no norte de Mali deixa dois ‘capacetes-azuis’ mortos

Ataque contra forças de paz da Missão das Nações Unidas no Mali deixou dois soldados mortos e um ferido na manhã desta terça-feira (23). “A ONU está preparada para contribuir com a identificação dos autores desse ataque, a fim de que sejam prontamente levados à justiça”, disse a organização em um comunicado.

Forças de Paz da MINUSMA em uma patrulha nas ruas de Kidal, Mali. Foto: MINUSMA/Sylvain Liechti

Forças de Paz da MINUSMA em uma patrulha nas ruas de Kidal, Mali. Foto: MINUSMA/Sylvain Liechti

Um ataque contra forças de paz da Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas no Mali (MINUSMA) deixou dois soldados mortos e um ferido na manhã desta terça-feira (23).

Condenando veementemente o que chamou “ataque assassino”, o chefe da MINUSMA, Mahamat Saleh Annadif, que também é representante especial do secretário-geral das Nações Unidas em Mali, afirmou que houve uma força de resposta rápida na cena para evacuar os agentes atingidos.

“Esse ataque é parte de uma onda de violência que, pelas últimas semanas, tem alvejado civis, as forças armadas malianas e forças internacionais sem distinções. A violência visa apenas a minar […] os esforços para trazer estabilidade e unidade para Mali”, diz Annadif.

Em janeiro deste ano, um ataque contra a base do MINUSMA, também na região de Kidal, deixou um capacete-azul morto e outros dois gravemente feridos.

O porta-voz da ONU ressaltou ainda a determinação e a solidariedade com que a Missão apoia os esforços do governo de Mali, partidos signatários e cidadãos na implementação do Acordo de Paz. “A MINUSMA está preparada para contribuir com a identificação dos autores desse ataque, a fim de que sejam prontamente levados à justiça”, afirmou o comunicado.

Na tarde do mesmo dia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, homenageou os soldados que perderam suas vidas na emboscada, chamando-a de uma “sombria lembrança dos perigos que a MINUSMA enfrenta em campo”.

De acordo com o chefe da organização, desde que a MINUSMA foi criada, há quatro anos, malianos têm feito um significante progresso em direção à reconciliação. Entretanto, tragicamente, esse progresso não tem se traduzido em paz.

Grupos extremistas violentos procuram deter, ativamente, esse processo pacífico. Novos grupos armados emergiram, enquanto grupos já existente se dividiram em diferentes facções. Ele explica que a instabilidade se espalhou do norte ao centro do país e além das fronteiras de Mali, chegando a nações vizinhas.

Para Guterres, as forças de paz devem ser equipadas para atender aos requisitos dos novos ambientes operacionais. “Mali é um teste para a comunidade internacional. […] Não podemos implementar as missões da MINUSMA em áreas onde grupos terroristas e redes criminais transnacionais operam, sem proporcionar meios para que enfrentem as dificuldades.”