Ataque contra hospital eleva risco de nova epidemia de cólera no Iêmen

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Um ataque mortal contra um dos últimos hospitais em funcionamento no Iêmen, na cidade portuária de Hodeida, colocou centenas de milhares de pessoas sob risco, prejudicando os esforços para prevenir uma terceira epidemia de cólera no país afetado pela guerra, disseram oficiais da ONU na sexta-feira (3).

“Tudo o que estamos fazendo para tentar acabar com a maior epidemia de cólera do mundo está sob risco”, disse a coordenadora humanitária da ONU no Iêmen, Lise Grande, completando que todos os dias novos casos de cólera são identificados.

Hospital de Al-Thawra, em Hodeida, no Iêmen, em foto de abril de 2017. Foto: OCHA/Giles Clarke

Hospital de Al-Thawra, em Hodeida, no Iêmen, em foto de abril de 2017. Foto: OCHA/Giles Clarke

Um ataque mortal contra um dos últimos hospitais em funcionamento no Iêmen, na cidade portuária de Hodeida, colocou centenas de milhares de pessoas sob risco, prejudicando os esforços para prevenir uma terceira epidemia de cólera no país afetado pela guerra, disseram oficiais da ONU na sexta-feira (3).

Informações iniciais indicam que o ataque deixou mortos e feridos após o maior hospital do Iêmen, Al-Thawra, ser atingido na quinta-feira (2), disse Peter Salama, que está a cargo da unidade de preparação e resposta a emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Estamos particularmente preocupados com o ataque contra um dos principais hospitais do país ontem, Al-Thawra, em Hodeida”, disse. De acordo com as últimas informações, ao menos 20 pessoas morreram após diversos ataques aéreos, que também atingiram um mercado de peixes na cidade.

O ataque contra o hospital — que abriga um importante centro de tratamento do cólera — é o mais novo evento no confronto para retomar o importante porto do Mar Vermelho dominado pela milícia de oposição Houthi.

O conflito no Iêmen teve suas origens nas revoltas de 2011, mas os confrontos escalaram em março de 2015, quando uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio militarmente no país a pedido do presidente Abd Rabbuh Mansour Hadi. O objetivo da coalizão foi garantir o retorno do governo na capital detida pela milícia Houthi, Sanaa.

Os confrontos ainda estão em andamento e a crise humanitária se aprofundou no país que já era um dos mais pobres do mundo, com 8 milhões de pessoas à beira da fome.

Compartilhando a condenação da OMS do ataque em Hodeida, a coordenadora humanitária da ONU no Iêmen, Lise Grande, descreveu o impacto dos ataques como “aterradores”.

Os hospitais estão protegidos pela lei humanitária internacional, disse a oficial da ONU, acrescentando que “centenas de milhares de pessoas” dependem do hospital para sobreviver.

“Tudo o que estamos fazendo para tentar acabar com a maior epidemia de cólera do mundo está sob risco”, disse Lise, completando que todos os dias novos casos de cólera são identificados.

Reunião em Genebra

O enviado especial da ONU para o Iêmen anunciou na quinta-feira (2) que depois de dois anos de negociações paralisadas para resolver a crise no país, planeja convidar as partes em conflito para um encontro em Genebra em 6 de setembro para consultas sobre paz.

“Já passou da hora de nós, juntos, pedirmos uma retomada do processo político, dois anos depois da última rodada no Kuwait”, disse Martin Griffiths, referindo-se às conversas de paz apoiadas pela ONU realizadas três anos atrás na Suíça antes de migrar para o Kuwait em abril de 2016.

Griffiths disse ao Conselho de Segurança na semana passada (2) que era hora de “começar a jornada difícil e incerta para longe da guerra” e que havia agora uma chance de “aproveitar as oportunidades para a paz” no país marcado pela guerra.


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