Ataque contra cidade e porto no Iêmen pode comprometer capacidade humanitária, alerta OIM

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“Caso o ataque aconteça, a expectativa é que, no mínimo, cerca de 400 mil pessoas fujam da cidade [de Al Hudaydah], aumentando a situação já desesperadora de mais de 2 milhões de pessoas deslocadas e suas comunidades de acolhimento afetadas pelo conflito”, alertou o diretor de operações e emergências da Organização Internacional para as Migrações, Mohammed Abdiker. Cerca de 19 milhões de pessoas precisam de assistência no país, sendo que mais da metade depende da ajuda para sobreviver.

Cerca de 19 milhões de pessoas precisam de assistência no Iêmen, sendo que mais da metade depende da ajuda para sobreviver. Foto: Giles Clarke/OCHA

Cerca de 19 milhões de pessoas precisam de assistência no Iêmen, sendo que mais da metade depende da ajuda para sobreviver. Foto: Giles Clarke/OCHA

Alertando sobre o impacto de um ataque iminente contra um porto e uma cidade no oeste do Iêmen, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) pediu nesta sexta-feira (12) que todas as partes em conflito no país usem o diálogo em detrimento da força militar, a fim de livrar o povo iemenita do sofrimento.

De acordo com a OIM, há sérias preocupações que a capacidade humanitária seja sobrecarregada quando o porto e a cidade de Al Hudaydah forem atacados.

“Caso o atentado aconteça, a expectativa é que, no mínimo, cerca de 400 mil pessoas fujam da cidade, aumentando a situação já desesperadora de mais de 2 milhões de pessoas deslocadas e suas comunidades de acolhimento afetadas pelo conflito”, alertou o diretor de operações e emergências do organismo internacional, Mohammed Abdiker.

Além disso, o ataque pode prejudicar significativamente os esforços das agências da ONU para evacuar os migrantes vulneráveis através do porto.

De acordo com relatos de parceiros das Nações Unidas, a resposta emergencial no Iêmen tem enfrentado muitos desafios em relação ao acesso, aos recursos financeiros e à enorme escalada de necessidades humanitárias. Cerca de 19 milhões de pessoas precisam de assistência no país, sendo que mais da metade depende da ajuda para sobreviver.

O conflito, agora em seu terceiro ano, empurrou o país à beira da fome, com mais de 8 milhões enfrentando escassez aguda de água potável e saneamento básico. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sistema de saúde também está em colapso na região, com mais da metade das unidades médicas não funcionais.

“Se todas as partes no conflito não chegarem à mesa de negociações para evitar mais escaladas militares, e se não acabarem com a violência, os trabalhadores humanitários não poderão continuar respondendo às crescentes necessidades enquanto ajudam as pessoas já muito afetadas pelos combates”, acrescentou Abdiker.

Manifestando preocupação com os escassos recursos que tem recebido até agora, a OIM alertou que nenhum plano de contingência será capaz de responder plenamente ao aumento das necessidades induzido pelo conflito em curso.

Recentemente, durante o evento de alto nível sobre a ajuda humanitária no Iêmen, a comunidade internacional prometeu 1,1 bilhão de dólares para apoiar a resposta na região. No entanto, esse valor representa pouco mais da metade dos 2,1 bilhões necessários para 2017.


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