Assistência preventiva em casos de seca pode evitar crises humanitárias, diz FAO

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Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revela que intervenções preventivas em situações de seca e escassez de comida podem evitar crises humanitárias. No início de 2017, quando o Quênia, Somália e Etiópia se preparavam para uma estiagem severa, cada dólar gasto pela agência da ONU em assistência gerou um retorno de nove dólares.

Pastor na Somália perdeu quase metade da sua criação de ovelhas. Foto: UNICEF/Sebastian Rich

Pastor na Somália perdeu quase metade da sua criação de ovelhas. Foto: UNICEF/Sebastian Rich

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) revela que intervenções preventivas em situações de seca e escassez de comida podem evitar crises humanitárias. No início de 2017, quando o Quênia, Somália e Etiópia se preparavam para uma estiagem severa, cada dólar gasto pela agência da ONU em assistência gerou um retorno de nove dólares.

A publicação da FAO explica que esse investimento inicial garantiu que menos animais morressem de fome e doenças. Em alguns casos, as vacas produziram três vezes mais leite que o esperado. Na avaliação do organismo internacional, isso permitiu “evitar uma perigosa espiral de pobreza e uma dependência da ajuda de emergência, que seria muito mais cara”.

Segundo o diretor da Divisão de Emergência e Reabilitação da FAO, Dominique Burgeron, “existem cada vez mais evidências de que, quanto mais cedo for a resposta, maior será a capacidade das comunidades para lidar com a crise”.

Ações que se antecipam à tragédia serão fundamentais num planeta com o clima cada vez mais imprevisível. Atualmente, desastres naturais ocorrem no mundo a uma frequência cinco vezes mais alta do que há 40 anos.

No início de 2017, a FAO deu apoio a milhares de pastores em risco na Quênia, Somália e Etiópia. Agricultores sofriam com a falta de chuva. A agência da ONU distribuiu rações de emergência para animais, disponibilizou serviços veterinários, reabilitou centros de abastecimento de água e capacitou funcionários do governo em gestão de mercados de gado.

Como resultado, no Quênia, as famílias que receberam assistência conseguiram salvar dois animais a mais, na comparação com as famílias que não tiveram ajuda. As crianças com menos de cinco anos de idade beberam cerca de meio litro de leite a mais por dia, o que representa um quarto das suas calorias diárias. No auge da seca, os rebanhos abrangidos pelo programa não só sobreviverem em maior número, como produziram três vezes a quantidade usual de leite.

Para cada dólar gasto, as famílias tiveram um retorno de 3,5 dólares. Considerando as despesas com assistência alimentar e deslocamento que foram evitadas, a FAO estima uma taxa de retorno sobre o investimento ainda maior — de nove dólares.

Os pastores do Quênia fora do programa foram forçados a vender o dobro do número de animais, com os preços caindo de 80 para 30 dólares. Também precisaram matar perto do triplo dos animais, para comer ou para eliminar o custo de alimentá-los.

Na Somália, a FAO tratou mais de 1 milhão de animais pertencentes a quase 180 mil pessoas nas áreas mais atingidas pela seca. As intervenções ajudaram os pastores a economizar mais de 40 milhões de dólares. O leite produzido pelo gado foi suficiente para alimentar 80 mil mães e crianças vulneráveis.


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