Assistência humanitária na Síria deve ser ampliada

O coordenador humanitário da ONU, Stephen O’Brien, pede que assistência humanitária seja ampliada em áreas de difícil acesso.

Desde janeiro, mais de 800 mil pessoas receberam comboio humanitário coordenado pela ONU e agências parceiras mas cerca de 5 milhões de pessoas vivem em áreas de difícil alcance.

UNICEF distribui água e itens de higiene para deslocados Yazidis que saíram da Síria para o Curdistão iraquiano. Foto: UNICEF

UNICEF distribui água e itens de higiene para deslocados Yazidis que saíram da Síria para o Curdistão iraquiano. Foto: UNICEF

A entrega de ajuda humanitária às populações sitiadas e em áreas de difícil acesso na Síria deve ser ampliada no segundo semestre deste ano.  A informação foi repassada pelo coordenador humanitário da ONU, Stephen O’Brien, ao Conselho de Segurança.

De acordo com O’Brien, desde janeiro, 844.325 pessoas receberam comboios humanitários coordenados pela ONU e agências parceiras, incluindo 334.150 das 590.200 pessoas que vivem em áreas sitiadas.

Atualmente, cerca de 5 milhões de sírios vivem em áreas de difícil alcance, um aumento de mais de 900 mil pessoas em relação à última estimativa. Para o coordenador, é vital que a dinâmica de assistência humanitária empreendida ao longo dos últimos meses continue e melhore, a fim de que se atinja, até o final do mês, todos os locais sitiados.

“A organização da entrega de ajuda deve permanecer sob a responsabilidade das Nações Unidas e das agências parceiras, com base nas necessidades das pessoas e não sujeita a considerações políticas e outras”, lembrou O´Brien.

A ONU apresentou às autoridades sírias pedido de acesso para chegar, ainda em julho, a mais de 1,2 milhão de pessoas em 35 áreas sitiadas e de difícil alcance. A expectativa é que o pedido seja aprovado sem quaisquer condições prévias.

As dezenas de bombas que caíram no dia 10 de junho em Darayya — um dia depois da ONU e da Cruz Vermelha entregarem a primeira ajuda alimentar para a cidade desde novembro de 2012 —, demonstram que a situação não será  resolvida somente com ajuda humanitária.

“O verdadeiro indicativo de progresso ocorrerá quando os bloqueios  não existirem mais; quando os meninos não correrem o risco de serem atingidos ao levarem remédio para suas mães; quando os médicos puderem administrar assistência e tratamento sem  medo de ataques; quando meninas não precisarem arranhar o rosto por medo de serem compradas e sexualmente escravizadas”, afirmou O´Brien.

De acordo com coordenador residente humanitário da ONU para a Síria, Yacoub El Hillo, 13,5 milhões de sírios necessitam de assistência humanitária.

O último relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria aponta que o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) está cometendo genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. Só para dar um exemplo, no último dia 25 ataques aéreos na cidade síria de al-Quriyah mataram 25 crianças.