Assessores da ONU condenam ataques contra minorias religiosas no Sri Lanka

Dois assessores especiais das Nações Unidas pediram nesta terça-feira (14) o fim de “ataques de ódio” contra a minoria muçulmana do Sri Lanka, após o aumento de casos de violência com base em religião.

Em retaliação à violência mortal no domingo de Páscoa contra igrejas cristãs e hotéis em diversas partes do país, ataques ocorreram contra mesquitas e casas de famílias muçulmanas na segunda-feira (13), segundo relatos. Os ataques deixaram mais de 200 mortos e centenas de feridos.

Durante a guerra civil no Sri Lanka, muçulmanos deslocados se abrigaram sob as ruínas de uma mesquita no distrito de Mannar, norte do país, em 2007. Foto: UNICEF

Dois assessores especiais das Nações Unidas pediram nesta terça-feira (14) o fim de “ataques de ódio” contra a minoria muçulmana do Sri Lanka, após o aumento de casos de violência com base em religião.

Em retaliação à violência mortal no domingo de Páscoa contra igrejas cristãs e hotéis em diversas partes do país, ataques ocorreram contra mesquitas e casas de famílias muçulmanas na segunda-feira (13), segundo relatos. Os ataques deixaram mais de 200 mortos e centenas de feridos.

“É do interesse de todos os grupos étnicos e religiosos do Sri Lanka, assim como do governo, da oposição, da sociedade civil e do setor da segurança, trabalhar colaborativamente para adotar ações apropriadas e cessar imediatamente estes ataques de ódio”, disse Adama Dieng, assessor especial da ONU para Prevenção de Genocídios, e Karen Smith, assessora especial da ONU sobre a Responsabilidade de Proteger, em comunicado conjunto.

Desde os atentados suicidas a bombas em 21 de abril, houve um aumento de ataques contra comunidades muçulmanas e cristãs no país de maioria budista.

De acordo com a mídia internacional, o Sri Lanka declarou um toque de recolher nacional nesta terça-feira, após um homem ter sido morto por uma multidão armada com espadas na segunda-feira, em um ato contra muçulmanos.

Relembrando comunicados recentes contra violência extremista e discursos de ódio, os assessores da ONU reconheceram e elogiaram a rápida resposta do governo. A resposta inclui o envio de forças de segurança para proteger comunidades afetadas e medidas para responder à disseminação de informações falsas e de incentivos à violência.

Os especialistas também encorajaram o governo a investigar completamente estes e outros ataques similares, além de levar à justiça os responsáveis por instigar ou cometer estes atos violentos.

“O país está tentando seguir em frente após um período traumático de conflito armado entre etnias, mas estes ataques estão levando o Sri Lanka para trás”, alertaram os dois assessores especiais. “Se não for lidada de forma adequada, a violência recente tem potencial de se intensificar ainda mais”.

Dieng e Smith instaram o governo a mostrar que “não irá tolerar a disseminação de preconceitos e ódio entre grupos dentro de sua população”, tanto em nível nacional quanto local. Segundo eles, o governo precisa “colocar um fim às práticas locais de discriminação que perpetuam intolerância e violência religiosa”.

Eles também ofereceram apoio para trabalhar com o governo em questões de harmonia entre religiões e inclusão.

“O Sri Lanka tem uma sociedade plural”, afirmaram. “Ser do Sri Lanka é ser budista, ser hindu, ser muçulmano, ser cristão”.

Cada uma destas comunidades tem direito a suas identidades e de praticar sua religião em paz e segurança, como reconhecido na Constituição do país, salientaram.

Representantes, enviados e assessores especiais e pessoais das Nações Unidas são nomeados pelo secretário-geral da ONU.