‘As Nações Unidas foram um refúgio para nós’, diz líder das Avós da Praça de Maio em agradecimento

A ONU apoia a organização que luta para reunir crianças separadas de suas famílias durante a ditadura argentina e oferece assistência a vítimas de desaparecimentos forçados.

Mães e avós argentinas se reúnem na Praça de Maio em Buenos Aires para exigir justiça e a verdade sobre o desaparecimento dos seus filhos e netos. Foto: Beatrice Murch/Flickr (Creative Commons)

Mães e avós argentinas se reúnem na Praça de Maio em Buenos Aires para exigir justiça e a verdade sobre o desaparecimento dos seus filhos e netos. Foto: Beatrice Murch/Flickr (Creative Commons)

“As Nações Unidas foram um refúgio para nós”, disse a líder das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, em apresentação fortemente simbólica na sessão conjunta do Comitê sobre Direitos da Criança e do Comitê para Desaparecimentos Forçados.

Por mais de três décadas, a organização vem lutando para reunir crianças separadas de suas famílias durante a ditadura argentina. Estima-se que 500 crianças tenham sido tiradas de oponentes do governo e adotadas por outras famílias, muitas vezes em consequência do desaparecimento forçado de suas mães.

Estela agradeceu às Nações Unidas por permanecer desde o início ao lado do grupo que começou com mulheres leigas e inexperientes no assunto e hoje representa uma organização complexa e sofisticada, que fornece assistência legal e psicológica para vítimas de desaparecimentos forçados.

As contribuições das Avós de Maio tiveram influência direta na inclusão do direito da criança à identidade na Convenção sobre os Direitos da Criança e na Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra os Desaparecimentos Forçados.

Em agosto deste ano, Estela reencontrou seu próprio neto. Sua filha foi vítima de desaparecimento forçado em 1977, quando estava grávida de dois meses, e assassinada logo após o nascimento de bebê pelas forças de segurança da Argentina.