Artistas brasileiros e crianças refugiadas pedem paz na Síria em apresentação musical no Cristo Redentor

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Cerca de 50 crianças refugiadas uniram suas vozes a de cantores e de mais de 20 atores e atrizes brasileiros para pedir o fim da guerra na Síria, que completa seis anos nesta quarta-feira (15). Em apresentação no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, um coral de meninos e meninas de 12 países encantou o público do ponto turístico ao lado dos músicos Tiago Iorc, Maria Gadu e Elba Ramalho. O ato pela paz foi organizado pelo “Amor Sem Fronteiras”, movimento liderado por Daniele Suzuki e que já tem o apoio de mais de 150 artistas brasileiros.

Cerca de 50 crianças refugiadas uniram suas vozes a de cantores e mais de 20 artistas brasileiros para pedir o fim da guerra na Síria, que completa seis anos nesta quarta-feira (15). Em apresentação no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, um coral de meninos e meninas de 12 países encantou o público do ponto turístico ao lado dos músicos Tiago Iorc, Maria Gadu e Elba Ramalho. O ato pela paz foi organizado pelo “Amor Sem Fronteiras”, movimento liderado por Daniele Suzuki.

“Devemos nos lembrar daqueles que mais sofrem por causa desta calamidade: os 4,9 milhões de refugiados, os 6,3 milhões de deslocados internos e outras milhões de pessoas dentro da Síria que vivem um medo diário por causa desta guerra e da desumanidade que ela tem criado”, afirmou a representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Isabel Marquez, em pronunciamento durante a cerimônia.

Atualmente, o Brasil é o lar de 2,5 mil sírios já oficialmente reconhecidos como refugiados pelo governo. No país, vivem outros 25 mil indivíduos de diferentes nacionalidades que aguardam o processamento de seu pedido de asilo. Os dados são do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE).

Entre as crianças que se apresentaram na capital fluminense, estavam não apenas jovens sírios, mas também refugiados do Iêmen, Irã, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e outros países em crise.

Com interpretações de “O Sol”, de Milton Nascimento, e “Aquarela”, de Toquinho, os cantores mirins alegraram a manhã de turistas e cariocas, mas também transmitiram uma mensagem de alerta: o medo de estrangeiros que fogem da guerra não leva a nada.

Para o ator Murilo Rosa, ajudar vítimas de guerra “é uma responsabilidade de todos”. “Cabe a cada um de nós garantir que não haja mais barreiras que impeçam um ser humano de tentar salvar a própria vida”, disse.

“Milhares de crianças sírias estão nos arredores de fronteiras que permanecem fechadas. Elas estão vivendo expostas às mais graves e terríveis violências, enfrentando graves ameaças. São crianças que precisam de proteção e compaixão, e não podem viver abandonadas dessa forma”, lamentou a atriz Malu Mader.

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Daniele Suzuki ressaltou que mais da metade dos refugiados sírios espalhados pelo mundo são crianças. “É uma realidade que nos faz questionar a humanidade”, afirmou. A atriz decidiu fundar o “Amor sem fronteiras” por perceber que muitos brasileiros não tinham consciência de que o mundo enfrenta “uma das piores tragédias humanitárias dos últimos tempos”. Com a iniciativa, ela conheceu o trabalho do ACNUR e outras instituições de acolhimento.

O objetivo do movimento é tanto prestar assistências aos refugiados vivendo no Brasil, quanto mobilizar a classe artística para difundir os desafios enfrentados pela população deslocada. Hoje, a iniciativa já conta com o apoio de mais de 150 artistas. Alguns deles compareceram ao ato pela paz e levaram seus filhos para cantar junto com as crianças refugiadas.

“A gente precisa aumentar o volume de chegada dessas pessoas (os refugiados) e, com a participação da iniciativa privada, acho que isso vai acontecer”, afirmou o ator Thiago Fragoso.

O Brasil acolhe 9 mil pessoas que já tiveram o refúgio formalmente concedido pelas autoridades e mais de 20 mil estrangeiros que aguardam deliberação sobre seu pedido de asilo. Os números podem parecer significativos, mas são bem inferiores aos de países que também não estão próximos geograficamente de nações em crise.

Os Estados Unidos, por exemplo, possuía um robusto programa de reassentamento que trazia, anualmente, milhares de refugiados de países africanos e do Oriente Médio para recomeçar a vida no território norte-americano. Em 2016, a nação recebeu 85 mil refugiados.

Os meninos e meninas refugiados que participaram do ato fazem parte do Coral Coração Jolie, uma iniciativa da organização não governamental “I Know My Rights” (IKMR), parceira da agência das Nações Unidas.

Refugiada síria no Brasil sonha com a paz

“Só o Brasil abre as portas para a gente”. É a impressão de Asmaa Al-Syouf, refugiada da Síria que teve de deixar o país em 2012 por causa da guerra. Há quase três anos em terras brasileiras, ela chegou aqui com o marido e os três filhos. As crianças estavam entre os jovens do Coração Jolie.

“Os brasileiros não perguntam ‘por que vocês vieram para o meu país, por que vocês estão aqui?’, eles dizem ‘bem-vindos!'”, comentou a refugiada sobre a recepção calorosa que recebeu quando veio para o Brasil.

Asmaa conseguiu reconstruir a vida por aqui e abriu um restaurante de comida árabe com o marido, em Mogi das Cruzes. Seu sonho, porém, é voltar ao país onde nasceu e onde ainda vive parte da família. “Eu só quero que a Síria volte a ser o que era antes.”

Isabel Marquez elogiou as políticas do Brasil para acolher refugiados sírios. “Um projeto não muito conhecido, mas muito significativo e único e que há poucos países que fazem, é o programa de vistos humanitários. Desde 2013, 2,5 mil refugiados sírios chegaram (ao Brasil), portanto, salvaram suas vidas”, afirmou.

Segundo a representante nacional do ACNUR, governo e ONU planejam reassentar outros 3 mil sírios, incluindo crianças. As Nações Unidas, o Estado brasileiro e parceiros da sociedade civil estão avaliando qual seria a melhor maneira de trazer esses refugiados para o Brasil.


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