ARTIGO: Mudar a forma de produzir alimentos pode ajudar a combater a poluição do ar

Em artigo, o Jovem Campeão da Terra de 2018 para a Europa, Hugh Weldon, fala sobre a importância de as cidades passarem a produzir alimentos. “Ao cultivar mais alimentos em ambientes urbanos, podemos ajudar aqueles que consomem a maioria dos alimentos e recursos a entender de onde eles vêm, começar a se reconectar com o mundo natural e até mesmo melhorar nossa saúde mental e bem-estar”, disse.

“Precisamos de toda essa ação – mas, além de tratar nosso ar por meio de espaços verdes e produzir alimentos em nossas cidades, precisamos desativar o fluxo de poluição tóxica na fonte. Precisamos que a indústria, os empresários e o setor privado passem da produção em massa de “coisas baratas” para produtos de qualidade mais duradouros. Sustentabilidade e qualidade antes de quantidade.” Leia o artigo completo publicado pela ONU Meio Ambiente.

Horta em escola do município de Belford Roxo. Foto: Centro Rio+

Horta em escola do município de Belford Roxo. Foto: Centro Rio+

Por Hugh Weldon*

Não falamos muito sobre poluição do ar. Mas deveríamos, porque o ar que respiramos está nos matando devagar. Veja por exemplo o relatório publicado pelo CHEST Journal em fevereiro, que enfatiza como a poluição do ar afeta cada órgão do corpo.

Eu vivo na Irlanda. É uma ilha úmida e com muito vento na costa da Europa. É o último lugar que as pessoas pensariam como poluído. Quando pensamos em poluição do ar, pensamos em chaminés e carros a diesel. Navios porta-contentores e motores a jato. Pequim, Londres, Nova Deli.

O que não consideramos é como toda a nossa sociedade é uma máquina bem lubrificada, bombeando os resíduos e a poluição necessária para manter este espetáculo imprudente e materialista andando.

Na busca por riqueza e ganho, ignoramos os limites físicos muito reais de nossos oceanos, florestas e ar para fornecer matérias-primas infinitas. E mesmo que não ignoremos, nós, como seres humanos, achamos frequentemente difícil associar nossas ações individuais com as tendências globais.

Sabemos, por exemplo, que 95% da população humana respira ar poluído. Em Dublin, sabemos que a poluição do ar é causada pela queima de turfa e madeira em nossos fogões e pela condução de carros movidos a combustíveis fósseis, mas achamos difícil relacionar essas ações cotidianas com as tendências de aumento de casos de asma, ataques cardíacos e até mesmo a perda de QI causada pela poluição do ar.

É bem sabido agora que temos que reescrever nosso contrato com a natureza para salvaguardar a vida na Terra. Só podemos fazer isso se analisarmos muito e duramente como o sistema funciona.

Os carros que nos levam a trabalhar na hora certa; a comida que colocamos na mesa; a embalagem que usamos para nosso almoço; a colher de plástico que usamos para fazer nosso café da manhã – em cada uma dessas áreas, temos a oportunidade de apresentar soluções que estimulam e engajam as pessoas. Precisamos rapidamente tornar a sustentabilidade o novo contexto para nossas vidas diárias.

Vamos começar com a comida. Não só, como detalhado com crescente frequência, temos que mudar completamente a maneira como produzimos e consumimos alimentos. Para a maioria de nós, a comida é agora a forma mais íntima com que estamos conectados ao mundo natural diariamente.

Ao cultivar mais alimentos em ambientes urbanos, podemos ajudar aqueles que consomem a maioria dos alimentos e recursos a entender de onde eles vêm, começar a se reconectar com o mundo natural e até mesmo melhorar nossa saúde mental e bem-estar.

Talvez tenhamos que ver, saborear e tocar os benefícios para nossos corpos de estar mais próximos da natureza para perceber sua existência. Talvez cultivando mais comida nas cidades, começaremos a dar mais valor ao mundo natural. Talvez então possamos apreciar melhor como dependemos disso para sobreviver.

A Airfield House, em Dundrum, Dublin, é um excelente exemplo de como a natureza e a produção de alimentos podem existir dentro dos limites da cidade, com benefícios educacionais e comunitários. Eles anunciaram recentemente uma parceria com a Evocco, ajudando os consumidores a fazer escolhas alimentares que podem impedir a crise do clima e melhorar a sustentabilidade.

GIY – Grow It Yourself é uma organização focada em ajudar as pessoas a cultivar sua própria comida em casa, quer seja em um jardim suburbano expansivo ou apenas em um espaço suficiente para uma caixa na janela.

Tudo isso nos aproxima da natureza. Faz parte da solução para tratar nosso ar poluído. As autoridades municipais também, em muitos países, tornaram-se agentes dinâmicos de mudança que impulsiona os esforços para melhorar a qualidade do ar. Algumas adotaram políticas para reduzir as emissões do transporte e da produção de energia. Outras promoveram o uso de energia limpa e renovável.

Precisamos de toda essa ação – mas, além de tratar nosso ar por meio de espaços verdes e produzir alimentos em nossas cidades, precisamos desativar o fluxo de poluição tóxica na fonte. Precisamos que a indústria, os empresários e o setor privado passem da produção em massa de “coisas baratas” para produtos de qualidade mais duradouros. Sustentabilidade e qualidade antes de quantidade.

Em vez de esperar que a poluição do ar nos sufoque lentamente, vamos retomar o poder de desenvolver nossas próprias soluções. Vamos aproveitar os benefícios de mais vegetação em nossas cidades e crescer para um ar mais limpo – uma caixa na janela de cada vez.

*Jovem Campeão da Terra de 2018 para a Europa. O prêmio é dado a cada ano a sete empreendedores com menos de 30 anos que tenham desenvolvido ideias excepcionais para proteger o meio ambiente. Os finalistas deste ano acabaram de ser selecionados. Os vencedores serão anunciados em setembro.