ARTIGO: Líderes comunitários fornecem a melhor esperança para um mundo conturbado

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Em artigo publicado na revista The Economist, o alto-comissário da ONU para os direitos humanos em fim de mandato, Zeid Ra’ad Al Hussein, faz duras críticas à comunidade internacional e a políticos que, “desejosos de serem vistos como líderes viris”, prejudicam migrantes, refugiados e grupos mais vulneráveis da sociedade. Para Zeid, falta vontade sincera por parte dos Estados de trabalhar em conjunto, enquanto os sistemas internacionais para ação coletiva estão se decompondo.

Zeid, no entanto, elogia o trabalho de líderes comunitários e de movimentos sociais do mundo todo que, apesar das dificuldades e das constantes ameaças, estão dispostos a perder tudo — incluindo suas vidas — em defesa dos direitos humanos. Leia o artigo completo.

Desde agosto de 2017, mais de 650 mil refugiados rohingya deixaram Mianmar rumo a Bangladesh em busca de segurança. Ali, vivem em condições precárias nos campos de refugiados superlotados e carecem de necessidades básicas. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Desde agosto de 2017, mais de 700 mil refugiados rohingya deixaram Mianmar rumo a Bangladesh em busca de segurança. Ali, vivem em condições precárias nos campos de refugiados superlotados e carecem de necessidades básicas. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Por Zeid Ra’ad Al Hussein*

(O ex-premiê britânico) Winston Churchill declarou que, de todas as qualidades humanas, a coragem era a mais estimada, porque era garantia de todas as outras. Ele estava certo. Coragem — coragem moral — é a companheira de uma grande liderança. Nenhum político pode ser visto como excepcional a menos que seja corajoso ou corajosa. E, historicamente, não teria havido progresso social se não fosse a presença do dissenso e daqueles que superam a suspeita e o medo inspirados pela manada.

No melhor dos casos, a coragem é altruísta, não violenta, modesta e baseada em princípios universais, o que a torna imensamente poderosa. Pense em Mahatma Gandhi ou Martin Luther King Jr. Lamentavelmente, a coragem também é rara: pense em Gandhi ou Martin Luther King Jr novamente. E perigosa: os dois foram assassinados.

Agora olhe para os políticos de hoje. Primeiro, para aqueles que ocupam grande parte da atenção da mídia: os Trumps, os Orbans, os Salvinis. Desejosos de serem vistos como líderes viris de seus respectivos países; ansiosos para inflar sua imagem, prejudicando os migrantes e refugiados, os mais vulneráveis da sociedade. Se há coragem nisso, não consigo ver. Líderes autoritários, ou líderes eleitos inclinados para o autoritarismo, são carrascos, enganadores e egoístas covardes.

Se eles estão crescendo em número, é porque (com exceções) muitos outros políticos são medíocres. Esses também estão focados em suas próprias imagens e nas vaidades associadas à reeleição. E, por estarem ocupados demais consigo mesmos, ou com muito medo de enfrentar demagogos e outros, parecem se abrigar na segurança do silêncio e da burocracia. Só quando eles deixam o cargo começam a falar, descobrindo sua coragem tardiamente. Muitos vêm e vão; ninguém realmente nota.

Consequentemente, muitas cúpulas e conferências realizadas entre Estados são insuportáveis, sem profundidade e cheias de jargões e clichês cansativos que, em suma, não têm sentido. O que falta é uma vontade sincera de trabalhar em conjunto, embora, diante das câmeras, todos digam que estão totalmente comprometidos com isso. Os sistemas para os Estados agirem coletivamente em níveis mais altos na busca por soluções estão se decompondo. Há sinais disso em todos os lugares para onde olhamos.

Por exemplo, o takfirismo — ideologia que norteia diversos grupos terroristas, como Al-Qaeda, Jabhat al-Nusra (uma afiliada da Al-Qaeda, hoje conhecida como Hayat Tahrir al-Sham), Boko Haram, Al-Shabaab, o grupo terrorista Estado Islâmico e outros — ainda não desapareceu, mesmo após milhares de ataques com drones e bombardeios contra essas organizações. Isso não nos diz alguma coisa? Mudam de nome ocasionalmente, mas, como ainda são capazes de continuar atormentando tantos países e perseguindo populações década após década — por que esses grupos odiosos e cruéis ainda são uma ameaça?

Isso sugere que não fomos capazes de confrontar um componente importante da causa. O takfirismo deveria ter sido desmantelado ideologicamente há muito tempo, sob insistência da comunidade internacional. Mas não foi. Liderada por muitos políticos irresponsáveis, a comunidade internacional tem sido fraca demais para fazer algo a respeito. Fraca demais para privilegiar vidas humanas, dignidade humana, tolerância — e, em última análise, segurança global — acima do preço dos hidrocarbonetos e da assinatura de contratos de defesa. Em vez disso, a resposta do mundo se concentra nos soldados de infantaria: no perfilamento, nas buscas nos aeroportos e nas leis de emergência, estigmatizando, assim, um vasto grupo de pessoas. E os Takfiris ainda estão por aí.

Na Europa, haverá mais campanhas contra o niqab e o hijab (tipos de vestimenta usadas por algumas mulheres muçulmanas) e seus apertos de mão ausentes, estimuladas por discursos de ódio da direita. No entanto, provavelmente não haverá campanhas contra a venda de armas ou a provisão de serviços bancários para aqueles que fomentam a intolerância no Islã.

E a situação ficará ainda mais perigosa. De fato, as consequências podem destruir a Europa, o Oriente Médio e o Sudeste Asiático.

Acredito que seja apenas uma questão de tempo, por exemplo, antes de vermos um confronto takfiri com o extremismo budista na Ásia. Já podemos prever onde é provável que isso ocorra e quem pode estar envolvido. O como e o quando são, como sempre, indeterminados; isso dependerá do resultado das eleições presidenciais regionais e de como se desenrolam as situações em Cox’s Bazar (Bangladesh) e em Mianmar. Os sinais atuais não são encorajadores. O que está claro é que nossos sistemas para consertar isso estão quebrados.

Quando Mianmar inflige enorme sofrimento aos rohingya — queimando-os dentro de casa, cortando as gargantas de seus filhos, estuprando, aterrorizando e fazendo com que cerca de 700 mil pessoas fujam para Bangladesh em apenas três semanas — e o governo não paga por isso, o que estamos dizendo aos culpados? O que estamos dizendo para as vítimas? E para outros potenciais autores de crimes ao redor do mundo?

(O presidente chinês) Xi Jinping apoia abertamente o governo de Mianmar e, o que é inusual para os Estados Unidos, considerando a amplitude dos horrores, o presidente (norte-americano, Donald) Trump, sequer mencionou Rakhine quando se dirigiu à Assembleia Geral da ONU em setembro de 2017. Evidências fortes indicam que militares birmaneses e outros podem ter cometido atos de genocídio. Quão mais cruel pode ser a humanidade, e quanto caos e dor estamos alimentando?

Em outros lugares, muitos já perderam a fé no direito internacional e na arquitetura de segurança. É perfeitamente compreensível que, por exemplo, com a ocupação israelense de 51 anos da Palestina parecendo interminável, muitos palestinos não acreditem no direito internacional, na lei de direitos humanos internacional e nas instituições criadas para defendê-los. O mesmo poderia ser dito para o povo do Saara Ocidental.

O fato de a região da Crimeia ter sido ocupada pela Rússia, um membro permanente do Conselho de Segurança, violando o direito internacional, também fala muito sobre as atitudes das grandes potências.

Quando a população civil e as instalações médicas da Síria podem ser bombardeadas diariamente, seu povo torturado e enfrentando a fome ano após ano, durante sete anos, é possível dizer que existe alguma lei? O mesmo poderia ser dito sobre Iêmen, Líbia, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Afeganistão, República Centro-Africana, Mali, Somália, Burundi, Camarões, Venezuela e Nicarágua.

E a lição? Mussolini invadiu a Etiópia em 1935 e a Liga das Nações não fez nada, não pôde fazer nada, para impedir ou reverter aquilo — com o ditador da Alemanha nazista observando.

Quem está observando agora?

Será que veremos um confronto entre Israel e Hamas se expandir rapidamente para se transformar em um conflito mais amplo entre Irã e uma coalizão abrangendo Israel, Estados Unidos e um bloco de Estados árabes liderados pela Arábia Saudita? Pode acontecer. A sequência é perceptível: um foguete atinge uma casa no sul de Israel, uma reação pesada se instala, criando uma repetição dos eventos de 2014 — só que desta vez, se expande rapidamente.

E quando várias tensões sociais já existem — resultado de décadas de lideranças medíocres —, só é preciso um estopim. Para curar essas fraturas, seja no Oriente Médio ou em outro lugar, devemos pensar de forma diferente, pensar mais sobre os direitos humanos e fazer isso com urgência.

Uma tensão dentro das sociedades muitas vezes representa sofrimento humano ou a existência de injustiças excessivas. Antes do início dos conflitos, o sofrimento decorre de três tipos de violações dos direitos humanos. Uma é a negação das liberdades fundamentais, como opinião, expressão e reunião pacífica, criando uma situação em que a vida e o medo do Estado se tornam inseparáveis. A segunda é a privação de serviços básicos, tais como proteções legais e sociais ou direitos à educação e saúde, que muitas vezes apenas confirmam o domínio das elites políticas sobre os demais. E terceiro, alimentando os dois primeiros, a discriminação, estrutural e profunda, sustentada por racismo, chauvinismo e intolerância.

O sofrimento infligido por lideranças egoístas e fracas ao longo desses três eixos é imenso e global.

Surpreendente, mas óbvio para qualquer pessoa que trabalhe com direitos humanos, é o número colossal de pessoas ainda vítimas de discriminação, privação e medo, retiradas dos serviços e das proteções do Estado porque são vistas como menos merecedoras, por motivos de religião, raça, etnia, cor, gênero, orientação sexual e assim por diante. A esmagadora maioria deste grupo é, não surpreendentemente, extremamente pobre.

Na Guatemala, um país de renda média, 47% de todas as crianças menores de 5 anos — metade desse grupo etário! — estão gravemente desnutridas. Em um país de renda média! Quase todos são das comunidades indígenas. Essa é a cara da discriminação e da privação.

Na Colômbia, país que se recupera de uma brutal e longa guerra civil, fiz um passeio de barco no rio Atrato e vi grupos armados ainda em guerra com o Estado, colhendo ouro ilegalmente ao longo de suas margens e despejando enormes quantidades de óxido nitroso e mercúrio nas águas. Havia comunidades afro-colombianas ao longo do rio, crianças caminhando na mistura tóxica — todas muito pobres. E como se isso não fosse chocante o suficiente, a presença de forças de segurança locais que não faziam nada falou muito sobre como a discriminação e a corrupção local são conectadas e endêmicas.

Em Ilopango, El Salvador, conheci quatro jovens condenadas a 30 anos de prisão por terem abortado, em julgamentos que estavam bem abaixo dos padrões internacionais. A proibição do aborto é absoluta em El Salvador. As meninas declararam — e os observadores as apoiaram — que haviam sofrido emergências obstétricas. No entanto, em vez de serem levadas para o hospital quando sangue e líquido amniótico escorriam por suas pernas, elas foram algemadas e levadas para a prisão. Eu chorei abertamente com elas, incapaz de lidar com a crueldade de tudo isso. Havia mais de 50 meninas, todas elas pobres, muitas analfabetas — nenhuma ligada a uma família rica. A lei, inflexível e amplamente apoiada pela classe política, recai sobre os pobres; nunca sobre seus autores privilegiados. Isto não é hipocrisia?

A aparente impotência daqueles que sofrem também foi trazida para mim em Jafna, Sri Lanka, onde as comunidades tâmeis, despojadas de suas terras pelos militares décadas atrás, ainda vivem nas condições mais básicas e deploráveis. Mesmo quando o governo está comprometido com a liberação de suas terras e propriedades, os militares se recusam a obedecer; então os inocentes e deslocados continuam sofrendo terrivelmente.

Vi condições semelhantes na Líbia, ao visitar um acampamento que abrigava uma comunidade deslocada de tuaregues. A insegurança geral em torno de Trípoli, particularmente à noite, com sequestros e tiroteios frequentes, significava que a situação era precária (embora isso possa ser dito sobre todos os países que visitei onde o conflito armado prevalecia, como República Centro-Africana, Burundi e República Democrática do Congo). As pessoas que foram discriminadas e privadas de serviços essenciais não estão apenas tendo que batalhar duro por suas vidas diariamente — o que é bastante doloroso —, mas precisam fazer isso sob a constante ameaça da violência extrema.

E esse sofrimento, que vi em primeira-mão ou foi transmitido a mim de maneira vívida pelas vítimas, reflete um abandono maciço do dever de servir por aqueles que exercem soberania em favor de seu povo. Em todo o mundo, nos Hemisférios Norte e Sul, há políticos que são egoístas demais, ou maldosos demais, para cuidar e proteger os mais vulneráveis. Eles não são apenas covardes, mas profundamente insensatos, porque ao produzir essas tensões, eles colocam em risco não apenas seu próprio futuro, mas o de todos.

Se não mudarmos de rumo rapidamente, inevitavelmente encontraremos um incidente em que o primeiro dominó será derrubado, desencadeando uma sequência de eventos incontroláveis que marcarão o fim de nosso tempo deste minúsculo planeta.

Podemos desviar a tempo?

Minha esperança está em um grupo de pessoas não amplamente conhecidas internacionalmente, mas familiares para as pessoas da comunidade de direitos humanos. Ao contrário daqueles que se autopromovem — os xenofóbicos e charlatães eleitos — essas pessoas têm coragem. Eles não têm nenhum poder estatal atrás do qual se esconder: em vez disso, eles dão um passo à frente. São os líderes comunitários e de movimentos sociais, grandes e pequenos, que estão dispostos a perder tudo — incluindo suas vidas — em defesa dos direitos humanos. Seu valor é puro; é altruísta. Não há discrição ou fraqueza. Eles representam o melhor de nós, e eu tive o privilégio de conhecer alguns deles pessoalmente, enquanto outros são bem conhecidos no meu escritório.

Essa é a cara dos verdadeiros líderes. Bertha Zuniga Cáceres, de Honduras, a jovem filha da ativista ambiental assassinada Bertha Cáceres, que corajosamente continuou a luta de sua mãe. Sima Samar, no Afeganistão, que lidera a comissão independente de direitos humanos do país e é totalmente destemido, mesmo quando as ameaças à sua segurança pessoal são abundantes. O mesmo poderia ser dito da senadora Leila de Lima, das Filipinas, que agora está arbitrariamente presa sem julgamento há 18 meses. Pierre Claver Mbonimpa, do Burundi, uma alma gentil, mas de princípios, que não se deteve, mesmo depois de seu filho ter sido assassinado e ele mesmo ter sobrevivido a repetidos ataques.

Eu também fiquei profundamente impressionado pela dignidade e coragem de Denis Mukwege, da República Democrática do Congo, um ser humano extraordinário por qualquer medida. Da mesma forma, fui impressionado pela determinação de Angkhana Neelapaijit, da Tailândia, cujo marido, um advogado, desapareceu em 2004, o que a transformou em uma ativista ainda mais corajosa, lutando contra os desaparecimentos forçados.

Há também outros, do Bahrein, por exemplo: a família Khawaja, Nabeel Rajab, Maytham Al Salman e Ebtisam Al Sayegh, que mostrou coragem extraordinária diante de uma considerável adversidade. Hatoon Ajwad Al Fassi e Samar Badawi, da Arábia Saudita: vozes corajosas para os direitos das mulheres sauditas, ambas atualmente presas. Amal Fathy, do Egito, e Radhya Al Mutawakel, do Iêmen, também são duas pessoas corajosas que colocam sua própria segurança em risco, já que se manifestaram contra a injustiça e em nome das vítimas de violações dos direitos humanos.

Da mesma forma, Ludmila Popovici, ativista contra a tortura na Moldávia. Na Polônia, Barbara Nowacka tem sido ativa na organização de protestos contra medidas para retirar os direitos das mulheres. Sonia Viveros Padilla, no Equador, luta pelos direitos dos afrodescendentes. Perto dali, em El Salvador, Karla Avelar, a corajosa ativista transgênero, merece grande elogio, assim como a peruana Maxima Acuna, conhecida defensora dos direitos humanos do meio ambiente.

Eu poderia continuar. Existem líderes de base contra a discriminação e as desigualdades em todas as regiões. Esses nomes são apenas uma amostra do verdadeiro estoque de coragem e liderança moral existente hoje entre nós.

Enquanto alguns falam de um ponto de vista individual, lutando em batalhas específicas em nome de suas comunidades locais, outros lideram movimentos sociais mais amplos. Em todo o mundo, eles não são coordenados. Mas, e se fossem? O que aconteceria se todos os movimentos se apoiassem, aberta e ativamente?

Vi isso em pequena escala pela primeira vez quando estive na Guatemala, em 2017. Em uma reunião com a sociedade civil, todos os ativistas representando suas diferentes comunidades apoiaram-se ferozmente e falaram como um movimento de direitos humanos singular — o poder desse ato me marcou. E se replicássemos isso em uma escala muito maior? E se a Parada do Orgulho Gay de Londres, por exemplo, não fosse apenas a comunidade LGBTI sozinha, organizando e marchando, mas todos os outros movimentos — o movimento de mulheres, minorias raciais, pelas pessoas com deficiência? E se 100 milhões ou mais de pessoas marchassem ao redor do mundo em protesto contra o que vemos agora: a inépcia, o egoísmo, as crueldades e as ameaças ao nosso bem-estar coletivo?

E se esse movimento coordenado e focado em direitos humanos tivesse o apoio de líderes empresariais? Há líderes empresariais que também são líderes reais e que pensam seriamente sobre direitos humanos. Pessoas como Barbara Novick, da Blackrock; Paul Polman, da Unilever; Brad Smith, da Microsoft; e Mustafa Suleyman, da Deepmind. Isso nunca foi feito antes; mas, se o fizéssemos, poderia simplesmente fornecer uma espécie de terapia de choque para aqueles políticos perigosos ou inúteis que agora ameaçam a humanidade. Talvez, apenas talvez, seria suficiente para deter a podridão, de modo que quando um idiota derrubasse o primeiro dominó ou detonasse um explosivo, ninguém se machucaria a não ser eles mesmos, e poderíamos esperar apenas um ferimento leve.

Deixo vocês com esse pensamento. Esta é a minha nota de despedida: uma nota de coragem e desafios, e um anseio pela liderança dos justos.

* alto-comissário da ONU para os direitos humanos


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