ARTIGO: Ativismo nas ruas e nas artes

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, Milú Villela, presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo, e Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil, afirmam que a arte ocidental orientou-se por valores patriarcais, sendo feita, financiada e destinada aos homens. Segundo elas, é hora de buscar a equidade de gênero. Leia o artigo completo.

Combate à discriminação racial e às desigualdades de gênero será foco das próximas parcerias entre o UNFPA e os governos da Bahia e de Salvador. Foto: Marcha Mundial das Mulheres Bahia/Facebook (via EBC)

Foto: Marcha Mundial das Mulheres Bahia/Facebook (via EBC)

Por Milú Villela e Nadine Gasman*

Neste Dia Internacional da Mulher, é hora de concentrar esforços no mundo inteiro para a reafirmação de nossos direitos. Palavras contra o machismo e outras formas de opressão ecoam nos grandes centros e em lugares distantes com a potência de um novo tempo, o tempo de mudar.

Precisamos tornar a equidade de gênero uma realidade. As mulheres se recusam a ter seus direitos violados. Elas contestam e repudiam as regras perversas da dominação, propondo outro modo de vida, no qual sejam livres para conduzir o próprio destino.

Gerações de mulheres têm dedicado a vida a enfrentar o patriarcado em casa, nas ruas, no trabalho, em escolas, nas redes e nas artes. Por muito tempo, a presença feminina nas artes visuais restringiu-se à representação de sua imagem, muitas vezes erotizada e reduzida ao fenótipo de indivíduos brancos.

Como outras formas de expressão, a arte ocidental orientou-se por valores patriarcais, tendo sido feita por homens, financiada por homens e destinada ao deleite dos homens.

Mulheres artistas foram deixadas de fora dos livros, das coleções e das salas de museus, instituições criadas por homens para preservar valores patriarcais. Assim como a história social, a história da arte vem sendo construída sem proceder a uma revisão profunda dos valores que a ancoram.

É hora de a arte assumir responsabilidade sobre a questão da equidade de gênero. As estruturas conservadoras, contudo, não se deixam modificar sem resistência. Assim, é necessário ter a consciência de que essa mudança exige a redistribuição das forças políticas que governam as instituições dominantes no mundo da arte.

As ações contestatórias já estão sendo embasadas por dados empíricos crescentes que evidenciam situação de sub-representação de mulheres em coleções públicas e privadas, sua desvalorização comparativa no mercado de arte e sua sub-representação na bibliografia e em cursos sobre a história artística. A partir dessas constatações objetivas, instituições de arte ao redor do mundo não podem mais se eximir de ações inclusivas.

No mês das mulheres, o MAM e a ONU Mulheres realizam um dia de atividades que se inscrevem no escopo do Movimento ElesPorElas-HeForShe, liderado pela Organização das Nações Unidas em escala global.

A inserção do MAM na agenda mundial da Semana de Artes HeForShe enfatiza a necessidade de os museus promoverem a igualdade de gênero. Ações nesse sentido fortalecem a representação das mulheres no campo das artes visuais, propagando noções essenciais ao equilíbrio das sociedades contemporâneas, como identidade de gênero, raça, etnia e orientação sexual.

Vivemos um momento de transformações — e estas não podem acontecer sem que se renove a maneira como a arte é criada, curada, exibida e consumida. As artes refletem o tempo das sociedades. A história que estamos vivendo hoje não poderá ser contada sem a pluralidade de gênero.

*Milú Villela, psicóloga, é presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo; Nadine Gasman, médica, é representante da ONU Mulheres Brasil


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