Arte pelo Clima – na sede da ONU, instalações chamam atenção para a necessidade de ares mais limpos

Em meio aos muitos eventos que ocorreram na sede das Nações Unidas em Nova Iorque no mês de setembro, como as Cúpulas de Ação Climática e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as lideranças presentes reservaram um momento para recuperar o fôlego.

A necessidade urgente de reduzir a poluição do ar e de intensificar as ações climáticas foi destaque em algumas instalações de arte promovidas nos espaços da ONU pela Arte 2030, iniciativa que visa utilizar a arte como ferramenta para abordar os temas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o problema da poluição do ar como “emergência de saúde pública global”, quando nove em cada dez pessoas respiram um ar contendo altos níveis de poluentes. O relato é da ONU Meio Ambiente.

"O ar poluído está causando milhões de mortes prematuras em todo o mundo ", Inger Andersen, Diretora Executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Foto: PNUMA.

“O ar poluído está causando milhões de mortes prematuras em todo o mundo “, Inger Andersen, Diretora Executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Foto: PNUMA.

Em meio aos muitos eventos que ocorreram na sede das Nações Unidas em Nova Iorque no mês de setembro, como as Cúpulas de Ação Climática e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as lideranças presentes reservaram um momento para recuperar o fôlego.

A necessidade urgente de reduzir a poluição do ar e de intensificar as ações climáticas foi destaque em algumas instalações de arte promovidas nos espaços da ONU pela Art 2030, iniciativa que visa utilizar a arte como ferramenta para abordar os temas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Lideranças mundiais que participaram das Cúpulas ou das atividades relacionadas à Reunião de Alto Nível sobre Cobertura Universal de Saúde tiveram a chance de visitar uma instalação sediada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) chamada “Pollution pods” (“Casulos de poluição”, na tradução livre), do artista Michael Pinsky, que recria a qualidade do ar em cinco cidades do mundo (Londres, Nova Deli, Pequim e São Paulo).

Recentemente, a OMS classificou o problema da poluição do ar como “emergência de saúde pública global”, quando nove em cada dez pessoas respiram um ar contendo altos níveis de poluentes.

Inger Andersen, Diretora Executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que abriga a Secretaria da Coalizão do Clima e do Ar Limpo, explicou que enfrentar duas das ameaças mais sérias do mundo – poluição do ar e crise climática – é fundamental para garantir um futuro sustentável.

“Precisamos enfrentar urgentemente as mudanças climáticas e impedir que as temperaturas excedam limites perigosos”, afirmou Andersen. “Reduzir os poluentes climáticos de curta duração é um componente essencial da nossa estratégia”, acrescentou.

Segundo a diretora do PNUMA, o ar poluído está causando milhões de mortes prematuras em todo o mundo e afetando seriamente a qualidade de vida das pessoas. Ela afirma que o Programa está comprometido com a limpeza dos ares como uma forma de reduzir as mudanças globais do clima.

“A Coalizão do Clima e do Ar Limpo está abordando essas duas questões em conjunto. Ações em quaisquer dessas frentes contribuem para alcançar os objetivos da outra”, relatou.

A respiração nos conecta

Visualização 3D de 'Breathe with me' na sede das Nações Unidas, realizada pelo Studio Jeppe Hein. Créditos: ART 2030 | Jeppe Hein.

Visualização 3D de ‘Breathe with me’ na sede das Nações Unidas, realizada pelo Studio Jeppe Hein. Créditos: ART 2030 | Jeppe Hein.

Explorando outra instalação artística que buscou representar nossa conexão fundamental com o meio ambiente, Breathe with me (“Respire comigo”, na tradução livre), Andersen e o embaixador da Boa Vontade do PNUMA, Aiden Gallagher, foram os primeiros a pintar suas respirações na parede reservada para a obra coletiva, compondo duas linhas azuis ao expirar, com pinceladas longas de cima para baixo.

O artista que criou a instalação, Jeppe Hein, disse: “A vida começa com uma inspiração e termina com uma expiração. Entre as duas, todos nós respiramos e vivemos vidas diferentes. E, no entanto, cada respiração nos mantém unidos, conectados, compartilhando o mesmo ar”.

Como um convite para o mundo inteiro respirar junto, a instalação ‘Breathe with Me’ também incluiu um kit de ferramentas educacionais e comunitárias disponíveis para download (em inglês).

 

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PNUMA e iniciativas por um ar mais limpo

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é um parceiro da campanha Breathe Life, que mobiliza comunidades para reduzir o impacto da poluição do ar em nossa saúde e no clima. A campanha apoia iniciativas de ar limpo, promove o uso de energia limpa e ajuda cidades, regiões e países a desenvolver políticas e programas para reduzir a poluição do ar.

Em evento na ONU, os ministros e representantes da Coalizão do Clima e do Ar Limpo apresentaram um documento oficial, a Declaração de Visão 2030, para garantir que o aquecimento seja limitado a 1,5 °C e que reduzamos drasticamente a poluição do ar.

De acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, são necessárias reduções profundas nas emissões de metano e carbono preto para limitar o aquecimento global ao padrão estabelecido.

A Declaração apresentada pela Coalizão do Clima e do Ar Limpo expressa uma exigência por esforços acelerados para reduzir os poluentes climáticos de vida curta (PCVC) na próxima década, além do comprometimento para colocar o mundo em um “caminho que reduza rapidamente o aquecimento, em curto prazo, e maximize os benefícios de desenvolvimento, saúde, meio ambiente e segurança alimentar”.

Esses esforços incluem grande mitigação de dióxido de carbono e transição para uma economia de neutralidade de carbono até 2050.

Esforços de mitigação – Combatendo as emissões de carbono e outros poluentes

PCVCs são muitas vezes mais poderosos que o dióxido de carbono no aquecimento do planeta, mas, como duram pouco tempo na atmosfera, a prevenção de suas emissões pode reduzir rapidamente a taxa de aquecimento.

Muitos deles são também poluentes perigosos e as reduções trarão benefícios à saúde e aos ecossistemas humanos, de acordo com a Coalizão do Clima e do Ar Limpo.

Miguel Arias Cañete, Comissário da Comissão Europeia para Ação Climática e Energia, afirmou que os esforços de mitigação precisam ser urgentemente intensificados no setor global de energia e pediu aos países que trabalhassem com a Coalizão para reduzir as emissões de metano da indústria de petróleo e gás.

“Para atingir esses objetivos, precisamos de uma transição rápida para uma economia de baixo carbono com maior eficiência no uso de recursos. Isso também requer mais ação sobre poluentes climáticos de vida curta”, afirmou Arias Cañete.

Segundo ele, a Comissão Europeia está explorando outras maneiras de medir e reportar melhor as emissões de metano em todas as indústrias de hidrocarbonetos e reduzir as emissões de metano na produção e no consumo de energia. “Existe um potencial significativo para reduzir as emissões sem elevar os custos”, concluiu Cañete.

Sobre a Conferência do Clima 2019

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, convidou todos os líderes à Nova Iorque neste ano para apresentarem suas contribuições e planos realistas de ações contra a mudança global do clima em nível nacional – em conformidade com os acordos de redução de 45% das emissões de gases de efeito estufa na próxima década, e a neutralidade de emissões até 2050.

A busca de soluções por um ar mais limpo estava entre as ações climáticas propostas para fortalecer as economias e criar empregos, preservando os habitats naturais e a biodiversidade.

Essas soluções também podem apoiar na redução das desigualdades, já que a poluição do ar afeta desproporcionalmente mulheres, crianças e pessoas em países em desenvolvimento.