Arquiteto acolhe refugiados sírios na Suécia

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Farah, Milad e Waleed foram acolhidos pelo arquiteto Lars Asklun, que abriu as portas de sua casa para que os três refugiados sírios pudessem viver em melhores condições do que num centro de acolhimento superlotado em Malmo, na Suécia. Em janeiro do ano passado, país já havia recebido mais de 160 mil solicitantes de refúgio.

O arquiteto Lars Asklund (à direita) abriga uma família de refugiados da Síria em Malmo, na Suécia. Foto: ACNUR/Aubrey Wade

O arquiteto Lars Asklund (à direita) abriga uma família de refugiados da Síria em Malmo, na Suécia. Foto: ACNUR/Aubrey Wade

O arquiteto Lars Asklun decidiu que não podia ficar parado diante da crise de refugiados que chegava à Europa e à Suécia, seu país de origem. Ele queria ajudar, mas não sabia como. Primeiro, procurou as autoridades responsáveis pelos processos migratórios em Malmo, cidade onde mora, e informou que em sua casa havia dois quartos disponíveis. Nada aconteceu.

Determinado, o sueco decidiu ir a um centro de acolhimento. Estrangeiros recém-chegados podem morar temporariamente no lugar, onde também dão entrada nos seus pedidos de asilo. Em janeiro de 2016, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estimava que mais de 160 mil solicitantes de refúgio já haviam entrado na Suécia.

Lars se aproximou de um jovem que segurava o filho colo, mas não se sentiu seguro em assumir a responsabilidade de conviver com uma criança. Então, foi até outro homem que estava ajudando refugiados como tradutor. Era Waleed Lababidi.

“Eu fiz três perguntas: “‘Você é casado?’. Ele disse que sim. ‘Você tem filhos?’. Ele disse que não. Olhei no fundo dos seus olhos e perguntei: ‘Você é fundamentalista?’. Ele respondeu que não. Então eu disse ‘OK, eu tenho uma boa proposta para te fazer´”, conta o arquiteto.

Waleed, de 29 anos, e sua esposa, Farah Hilal, de 25, vieram da Síria. Os dois e o irmão de Farah, Milad Hilal, de 22, agora vivem com Lars.

Waleed lembra-se de sua primeira noite no apartamento do sueco. “Estávamos exaustos”, disse. “Nós jantamos e nem conversamos muito. Ele nos deu as chaves de casa. No momento em que fechamos a porta do nosso quarto, sentimos um alívio imediato. Farah começou a chorar de alegria. Finalmente, tínhamos um lugar para viver.”

Um mês depois de se mudarem, Lars convidou o irmão de Farah, Milad, para passar o Natal com eles. Os quatro tiveram uma ótima noite e se deram muito bem. Milad ainda vivia no centro de recepção. Quando Lars o levou de volta depois da ceia, ele ouviu os relatos sobre as difíceis condições do local, onde 580 jovens viviam praticamente amontoados.

“Não consegui deixá-lo lá. Falei para arrumar as suas coisas e o trouxe pra casa”, contou Lars.

Farah, Milad e Waleed foram forçados a deixar suas casas em 2012, mas permaneceram na Síria por um bom tempo antes de deixar o país rumo à Europa. O trio passou por hotéis, casas de amigos e de parentes. Um dia, enquanto a família estava jantando, um míssil caiu do outro lado da rua provocando um incêndio devastador. Eles decidiram que tinham que ir embora. “Assim que amanheceu, juntamos o que foi possível e partimos”, lembra Waleed.

Os três refugiados e Lars sempre tomam café da manhã juntos. Waleed, Farah, Milad e outros sírios e deslocados forçados se reúnem toda semana na grande mesa de jantar do arquiteto para aulas de sueco que duram cerca duas horas. Um dos vizinhos, que era professor e agora está aposentado, contribui oferecendo mais uma hora de aula por semana.

“Para mim, é divertido”, diz Lars. “É fantástico, eu tenho novos amigos e gosto muito deles.”

O arquiteto realiza encontros frequentes para tentar apresentar a família às pessoas da comunidade e ajudar na integração. “Ele realmente se importa conosco”, afirma Milad. “Ele está sempre conversando com seus amigos sobre como pode nos ajudar profissionalmente. Temos muita sorte por tê-lo conhecido.”


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