Argentina: Linchamentos devem ser repudiados ‘de maneira clara e contundente’, diz ONU

Diante da onda de linchamentos registrada na Argentina – que levou à morte uma das vítimas – o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) reforçou seu repúdio à “justiça feita com as próprias mãos”, alertando que a prática dos linchamentos “põe em risco o monopólio estatal do uso da força e o próprio Estado de Direito”.

O representante do ACNUDH para a América do Sul, Amerigo Incalcaterra, afirmou, em artigo publicado no jornal argentino La Nación nesta sexta-feira (25), que “na Argentina, instalou-se um discurso violento e desqualificador, onde a intolerância, a corrupção, a impunidade e a incapacidade de reação geraram um clima de insegurança entre os cidadãos. É importante ressaltar que, quando se justifica um linchamento rotulando de ‘delinquentes’ as suas vítimas, justifica-se um ato criminal e uma grave violação aos direitos humanos”.

Embora seja um dos três países com a menor taxa de homicídios da América Latina, junto com Chile e Uruguai, a Argentina presenciou nas últimas semanas um aumento nos casos de linchamento: o número varia entre 12 e 13 pessoas. Embora vistos como resultado da insegurança e do descaso do governo, Incalcaterra enfatizou que “esses atentados contra a vida e a dignidade humanas devem ser repudiados de maneira clara, pública e contundente”.

O representante do ACNUDH também destacou a importância da mídia tanto para a incitação quando para o combate às agressões: “Esses meios têm um papel fundamental na disseminação de valores. É preciso que os meios de comunicação, os governos e a sociedade realizem, em conjunto, uma profunda reflexão e recuperem os importantes valores de respeito à vida, à dignidade e à integridade física dos indivíduos”.