Após vitória de Mossul, ONU detalha necessidades políticas e humanitárias do Iraque

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“A libertação histórica de Mossul não deve esconder o fato de que o caminho a seguir é extremamente desafiador”, disse o representante das Nações Unidas no Iraque, Ján Kubis, ao Conselho de Segurança. Desde o início dos conflitos, no ano passado, cerca de 940 mil civis fugiram da cidade, recentemente libertada pelas forças iraquianas com apoio internacional.

No leste de Mossul, 4 mil trabalhadores estão ajudando a limpar a cidade. Foto: PNUD / Ahmed Swadi

No leste de Mossul, 4 mil trabalhadores estão ajudando a limpar a cidade. Foto: PNUD / Ahmed Swadi

Representantes das Nações Unidas apelaram nessa segunda-feira (18) por apoio regional e internacional para estabilizar a recém-libertada cidade de Mossul, criando condições para a paz e o desenvolvimento em todo o Iraque.

“A libertação histórica de Mossul não deve esconder o fato de que o caminho a seguir é extremamente desafiador”, disse o representante especial do secretário-geral para o Iraque, Ján Kubis, ao Conselho de Segurança.

Ele elogiou as forças de segurança iraquianas e os parceiros internacionais por “um esforço excepcional” para salvar e proteger civis durante a campanha militar para libertar a cidade iraquiana do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), também conhecido pelo acrônimo árabe, Daesh, e por mostrar agilidade na responsabilização por violações.

O esforço foi realizado “em forte contraste” com o ISIL, que mostrou “desrespeito absoluto éças vidas humanas e pela civilização” ao destruir casas e monumentos históricos, bombardear indiscriminadamente civis e utilizar mulheres e crianças inocentes para fins de guerra.

“Para transformar os ganhos da vitória militar em estabilidade, segurança, justiça e desenvolvimento, o governo terá que fazer todo o possível para devolver às pessoas uma vida de segurança e dignidade”, disse Kubis, que também dirige a missão da ONU no país (UNAMI).

Os esforços de desminagem, estabilização e reconstrução para permitir o retorno de pessoas deslocadas, bem como a eliminação de células e milícias do ISIL, estão entre as prioridades.

‘Os combates podem ter acabado, a crise humanitária não’

Cerca de 700 mil civis foram deslocados da parte ocidental de Mossul, de acordo com dados da ONU.

Falando por videoconferência de Bagdá, a vice-representante especial da ONU, Lise Grande, disse a jornalistas em Nova Iorque que a maior prioridade agora é chegar a civis que ainda podem estar na cidade velha de Mossul.

“Nós acreditamos que talvez centenas de pessoas ainda estejam lá”, disse Grande, que também é coordenadora humanitária da ONU no Iraque. Ela observou que, na última semana de combate, cerca de 12 mil pessoas foram evacuadas, a maioria crianças e idosos sem água ou comida suficientes e, portanto, fragilizadas para seguir caminho.

As unidades de estabilização estabelecidas na linha de frente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) receberam até cem pacientes por hora, gastando cerca de 4 minutos para estabilizar cada paciente, antes de passá-lo para um hospital de campo.

“A luta pode estar chegando ao fim, mas a crise humanitária não”, observou Grande.

Dos 54 distritos residenciais no oeste de Mosul, 15 estão fortemente danificados, 23 estão moderadamente danificados e 16 bairros apresentam danos leves.

A ONU estima os custos para estabilizar essas áreas e torná-las acessíveis podem passar de 700 milhões de dólares, dos quais 237 milhões serão para áreas moderadamente e levemente danificadas e 470 milhões para os bairros mais destruídos.

“Isso é o dobro da estimativa para a estabilização”, disse Grande.

A ONU solicitou assistência de quase bilhão de dólares para ajudar as pessoas em Mossul, com foco no restabelecimento de serviços essenciais para que as pessoas possam retornar em segurança a Mossul ocidental.

Enquanto isso, na região leste, liberada desde janeiro, “as escolas estão abertas, as empresas estão prosperando, a cidade está se recuperando”, disse Grande.

Desde o início dos conflitos, no ano passado, cerca de 940 mil civis fugiram de Mossul. Quase todos foram alojados e estão recebendo assistência direta, um resultado que a coordenadora humanitária da ONU chamou de “muito positivo”.


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